Carbonização: quem é culpado?

Por BORIS FELDMAN19/10/16 às 15h26

Leitor da coluna reclama que levou o carro para a concessionária, por problemas no motor. E o parecer da oficina foi de carbonização, provocada por combustível adulterado. Ou seja, depósitos carboníferos na câmara de combustão, nos pistões, estariam provocando esse funcionamento irregular do motor. É como se estes depósitos fossem um pedaço de carvão. Com a elevada temperatura, ficam incandescentes e atuam como a faísca na vela. Só que provoca a combustão na hora errada.

Então, se o problema foi provocado pelo combustível, nem a fábrica nem a concessionária se responsabilizam pelo reparo. Não existe garantia disso. E o dono do carro fica em dúvida: “É isso mesmo? Eu abasteci sempre no mesmo posto, nunca tive problemas. Outros carros da família também abastecem lá e nenhum apresentou essa irregularidade ou qualquer outra provocada por combustível adulterado”.

Dúvida procedente, pois a alegação de que a carbonização foi provocada pelo combustível pode ou não estar correta. Depósitos carboníferos podem ter duas origens. A primeira hipótese é realmente de terem origem no combustível adulterado, com maior teor de carbono.

A segunda hipótese é que os depósitos tenham sido provocados pelo óleo do motor. Que pode estar chegando na câmara de combustão vindo do cabeçote devido a um irregularidade nos retentores das válvulas. O que caracteriza um problema do motor, um defeito de projeto ou qualidade das peças: neste caso, a responsabilidade é da fábrica.

Então, carbonização não é uma palavra mágica que isenta automaticamente a fábrica de garantir o produto. É simples partir logo para a acusação de que a culpa é do posto. Deve-se buscar a causa do problema, se foi realmente do combustível ou de uma deficiência na retenção do óleo. Só mesmo com uma perícia no motor é possível determinar a responsabilidade (ou não) da fábrica pelo reparo do problema.

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