Cinto abdominal: é possível adaptá-lo para três pontas?

Adaptá-los exige inúmeras modificações na estrutura da carroceria e do próprio banco

Por BORIS FELDMAN19/05/18 às 21h24

Os poderes legislativo e executivo brasileiros só se interessam pelo tema segurança veicular quando provocados por lobistas interessados no faturamento de suas empresas. Prova disso é que, no passado, o Conselho Nacional de Trânsito (Contran) só tornou obrigatório os cintos de segurança retráteis e o apoio de cabeça para os passageiros que vão nas extremidades do banco traseiro. Por que se esqueceram de quem vai no centro do banco? Porque a maioria dos carros brasileiros é exportada para o Primeiro Mundo com capacidade para quatro passageiros sendo, portanto, dispensável mais um cinto e apoio de cabeça. Entretanto, no Brasil, mesmo sendo habilitado a levar motorista mais quatro passageiros, nossa legislação se “esqueceu” de torná-los obrigatórios. Pressão das fábricas, pois é mais complexo e caro instalar o cinto de três pontos no meio do banco traseiro.

Durante muitos anos, passageiro no meio do banco de trás teve apenas a ridícula proteção do cinto abdominal, até que, recentemente, apesar da pressão contrária, foram tornados obrigatórios o cinto retrátil e o apoio de cabeça para todos os ocupantes. Mas, cedeu no prazo: a obrigatoriedade só tem início em 2020.

Os cintos de três pontas são mais seguros, mas não estão presentes no quinto lugar dos carros brasileiros. Boris explica se é possível adaptar o cinto abdominal.

Na prática, a maioria dos modelos comercializados no país não oferece esta importante proteção ao quinto passageiro. Desnecessário lembrar que o apoio de cabeça evita lesões na coluna cervical no caso de o carro sofrer um impacto frontal ou traseiro.

Alguns poucos motoristas (a minoria, pois a maioria acha dispensável qualquer dispositivo de segurança…) se preocupam e questionam a possibilidade de se adaptar cinto e encosto de cabeça. A resposta?

Tudo é possível mas, na prática, inviável: adaptá-los exigiria inúmeras modificações na estrutura da carroceria e do próprio banco. Mais simples e muito mais econômico trocar o carro por outro que já tenha estes dois dispositivos instalados na linha de montagem.

Boris Feldman

Jornalista e engenheiro com 50 anos de rodagem na imprensa automotiva. Comandou equipes de jornais, televisão e apresenta o programa AutoPapo em emissoras de rádio em todo o país.

Boris Feldman

0 Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se identificar algo que viole os termos de uso, denuncie.
Deixe um comentário