Concessionária com (e sem) razão

Por BORIS FELDMAN09/02/17 às 16h40
(Fabiano Azevedo/AutoPapo)

Sempre se reclama contra a concessionária. Mas nem sempre ela é culpada de um reparo que tenha ficado com preço muito elevado, pois alguns exigem cuidado especial e de usar utilizar material de alta qualidade.

Caso típico de um motorista que reclamou com a coluna, sem razão, do preço cobrado pela concessionária e “esculacha” a oficina sem ter ideia do que está acontecendo foi de seu carro importado que vazava gasolina e levado à concessionária. Que constatou um problema na mangueira de combustível e apresentou um orçamento de quase R$ 400 para sua substituição.

O dono do carro considerou o valor um absurdo, foi a uma outra oficina (não autorizada) e pagou menos de R$ 100 pelo mesmo serviço. E questiona a honestidade da concessionária.

Pois eu questiono a honestidade da oficina que cobrou apenas R$ 100. Pois a mangueira que leva combustível ao motor está sob o capô, e submetida a uma temperatura que pode superar os 200º C. Na minha opinião, o carro do leitor deveria ser levado urgente de volta à concessionária para evitar o risco de se incendiar. Só mangueiras muito especiais (e caras) resistem durante muito tempo às elevadas temperaturas sob o capô, o que explica tamanha diferença de preço entre elas.

Por outro lado, comentei outro dia nesta coluna sobre o carro zero km com problema na pintura. Defendi um leitor que me questionou se deveria ou não aceitar um reparo prometido pela concessionária de um arranhão profundo no para-lamas dianteiro.

Acho que mexi num vespeiro e recebi três e-mails, de duas concessionárias e uma oficina especializada em pintura. Todos eles por ter criticado a solução de reparar o defeito e sugerindo ao leitor que não aceite o carro zero km repintado. Por um simples e irrefutável motivo (apesar de contestado nos e-mails): afirmei que oficina nenhuma no mundo é capaz de reproduzir a pintura com a mesma qualidade da fábrica. Os e-mails contestaram defendendo a evolução do material e das estufas de pintura, o que é inegável.

Entretanto, é também inegável que, na pintura da fábrica, ao se aplicar a primeira camada de tinta, a carroceria é levada a uma estufa com 180 graus centígrados de temperatura. Na segunda camada , ela chega a cerca de 130ºC. O que explica o porquê de a oficina não obter a mesma qualidade: só se pode atingir estas temperaturas com a carroceria limpa, pelada, sem cabos, nem fios, nem revestimentos, nem borracha e nem plástico. Se o carro pronto, montado, fosse submetido a essas temperaturas, metade de tudo isso iria se derreter.

Boris Feldman

Jornalista e engenheiro com 50 anos de rodagem na imprensa automotiva. Comandou equipes de jornais, televisão e apresenta o programa AutoPapo em emissoras de rádio em todo o país.

Boris Feldman

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