Downsizing ameaça híbrido?

Por BORIS FELDMAN03/07/16 às 16h57

É inacreditável a evolução dos motores ciclo Otto (gasolina ou etanol) nos últimos anos. As fábricas, pressionadas pela legislação de emissões cada dia mais severa em todo o mundo e pelas próprias exigências do mercado, estão investindo centenas de milhões de dólares para melhorar sua eficiência. Claro que a redução de consumo e emissões não depende exclusivamente do rendimento do motor: o peso do carro, sua aerodinâmica e outros fatores também influenciam no consumo médio de combustível.

Entretanto, nunca o motor Otto evoluiu tanto, desde que foi inventado há mais de cem anos: nos últimos tempos, todo seu aperfeiçoamento se deve à introdução da eletrônica para gerenciar seu funcionamento.

A palavra de ordem na indústria automobilística mundial é o downsizing, a redução de cilindrada (para diminuir consumo e emissões) sem prejuízo do desempenho. Quando se imaginava que um pequeno motor de um litro (1.0) de cilindrada iria desenvolver 125 cv? Não se trata de sonho de uma noite de verão: a VW já lançou no Brasil o Golf 1.0 com esta potência. Recorrendo, obviamente, a vários recursos tecnológicos, sendo os mais visíveis a turbina, a injeção direta e os eixos de comando variáveis.

Até a GM, conservadora em seus motores, foi forçada a aderir e já roda no Brasil o Chevrolet Cruze com motor de apenas 1400 centímetros cúbicos (1.4), mas com 153 cv de potência. A versão top do novo Honda Civic tem motor 1.5 com 173cv.

Todos estes motores são tão eficientes que seu consumo de combustível foi extremamente reduzido e, não raras vezes, chegam a rodar perto de 15 km com um litro de gasolina no trânsito urbano. Os compactos já estão se aproximando da marca de 20 km/litro na estrada. Já não vai demorar muito para se fazer as contas: vale mesmo a pena investir no carro híbrido, uma solução intermediária entre o motor a combustão e o elétrico?

Ou é mais negócio pular de uma vez para o carro elétrico?

Boris Feldman

Jornalista e engenheiro com 50 anos de rodagem na imprensa automotiva. Comandou equipes de jornais, televisão e apresenta o programa AutoPapo em emissoras de rádio em todo o país.

Boris Feldman

1 Comentário

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  • Sergio Malandro gu gu dadá 26 de fevereiro de 2018

    O carro elétrico tem futuro garantido, mas, sem dúvida o Híbrido ainda tem muitíssimo espaço, pois, todo mundo ainda curte o som do motor a combustão e junto do elétrico tem vida longa tbm.

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