Eletrônica pode salvar o motor do “barbeiro”

Por BORIS FELDMAN14/03/18 às 11h12

Antes de a eletrônica passar a comandar os principais componentes mecânicos do automóvel, uma “barbeiragem” do motorista poderia, por exemplo, destruir o motor. Ou por ser completamente alheio às noções básicas de mecânica ou por abusar e querer tirar o máximo desempenho possível, ultrapassando os limites possíveis de sua operação.

Caso típico era do motorista que provocava um excesso de rotação e nem se preocupava com o conta-giros, que sempre tem uma faixa vermelha indicando qual é o limite de rotação capaz do motor suportar. Uma proeza fácil de cometer: só pisar fundo no acelerador de segunda marcha e deixar o ponteiro entrar na faixa vermelha (acima de, por exemplo, 7.000 rpm) para danificá-lo.

Quando chegou a central eletrônica, ela passou a controlar o regime de funcionamento do motor e não deixa mais o ponteiro do conta-giros entrar na faixa vermelha. Quando chega ali, ela corta a injeção de combustível e mantem a rotação fixa no limite, evitando a destruição do motor. Ou, nos carros com câmbio automático, joga a marcha seguinte para reduzir a rotação. Se o motorista insiste em pisar fundo no acelerador de segunda marcha, por exemplo, quando a rotação chega no limite (ponteiro do conta-giros entrando na faixa vermelha), a central aciona a caixa e joga a terceira.

Mas, esta interferência só é possível quando o motorista está subindo de rotação numa determinada marcha, quando ele estiver acelerando o carro. Mas existe uma outra situação em que a central eletrônica não consegue controlar a barbeiragem do motorista e evitar a quebra do motor. Como assim? Ele pode estar descendo uma longa ladeira, em alta velocidade, e jogar a “banguela” (ponto morto).

Num determinado momento, ele decide engatar a caixa de volta, mas pode tentar uma marcha muito forte. Ou seja, errar e engatar uma segunda em vez da quarta. Neste caso o motor sobe excessivamente de rotação e vai para o “espaço” na hora. Ou, ainda numa elevada velocidade, tirar a alavanca de quinta e jogar inadvertidamente uma segunda. O resultado é o mesmo.

A eletrônica só evita o motor de quebrar no caso do carro com câmbio automático, pois, mesmo que o motorista tente, a central impede o engate da marcha errada.

Eletrônica ajuda a salvar motor de barbeiros

Boris Feldman

Jornalista e engenheiro com 50 anos de rodagem na imprensa automotiva. Comandou equipes de jornais, televisão e apresenta o programa AutoPapo em emissoras de rádio em todo o país.

Boris Feldman

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