Concessionária aplica empurroterapia ao contrário

Por BORIS FELDMAN20/04/18 às 18h01

São muitas as oficinas, sejam de concessionária ou não, que tentar faturar o desnecessário aproveitando a ignorância técnica do cliente. É a troca da peça que ainda está em boas condições, ou antecipar um serviço que só seria necessário no futuro. É a chamada “empurroterapia”. De todas as manifestações dos nossos leitores, esta é a mais frequente.

Fiquei espantado ao receber, pela primeira vez, uma reclamação ao contrário da “empurroterapia”: o leitor tem um Volkswagen Jetta com mais de 100 mil km rodados e o levou para revisão na concessionária. Foi apresentado um orçamento com todos os itens que deveriam ser verificados. Ao examinar a relação, ele percebeu não constar a substituição dos amortecedores. Explicou então para o consultor técnico que eles ainda eram os originais e se não seria o caso de substituí-los.

Tempo de duração de um amortecedor pode variar muito: estipular prazo para trocá-lo é empurroterapia
Vida útil dos amortecedores não é pré-determinada e pode variar muito

O consultor perguntou então se ele tinha percebido alguma anormalidade, ruídos anormais, problemas ao rodar com o carro. O leitor disse que estava tudo em ordem, mas sua preocupação era com a elevada quilometragem rodada pelo carro. O consultor disse então que faria uma análise cuidadosa dos amortecedores e, se fosse o caso, eles seriam substituídos.

Ao buscar o carro depois da revisão, não constava a troca dos amortecedores na relação de peças e ele questionou novamente. E a resposta foi de que eles estavam em perfeito estado, sendo desnecessária sua substituição.

O leitor manifesta preocupação, pois já ouviu falar que amortecedores devem ser substituídos aos 40 mil km. Como podem os do seu Jetta estarem em bom estado depois de 100 mil km?

A resposta é que as fábricas de amortecedores no Brasil inventaram esta mal contada história de substituí-los aos 30 mil ou 40 mil km, pois depende de como roda o carro. Se for em estrada esburacada ou no asfalto cheio de buracos, ele pode não durar sequer 20 mil km. Mas, se o automóvel roda no asfalto liso, na maciota, ele pode ir além dos 100 mil km.

No caso exposto, a concessionária simplesmente comprovou sua honestidade ao não substituir os amortecedores mesmo com a solicitação do cliente.

Boris Feldman

Jornalista e engenheiro com 50 anos de rodagem na imprensa automotiva. Comandou equipes de jornais, televisão e apresenta o programa AutoPapo em emissoras de rádio em todo o país.

Boris Feldman

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