Entendendo os preços de carros no Brasil

A relação cambial explica a percepção distorcida que os consumidores têm sobre os valores de automóveis por aqui

Por BORIS FELDMAN20/05/18 às 11h00

Durante muitos anos, com o real supervalorizado em relação ao dólar, a internet tinha dezenas de “chatonautas” com matérias, textos e ilustrações criticando nossas fábricas por esfolar o consumidor e vender os carros mais caros do mundo. E citavam exemplos de modelos produzidos no Brasil e vendidos pela metade do preço quando exportados e outros importados vendidos aqui por duas ou três vezes seu custo lá fora. Mas é possível entender os preços de carros no Brasil.

vendedor de carros preços de carros no brasil

Algumas vezes esta coluna explicou que o preço do modelo brasileiro estava muito distorcido por vários motivos, inclusive pela relação cambial. Bastante para ser acusado, na época, de “puxa saco” das fábricas. Entretanto, o dólar dobrou nos últimos dois anos, pulando de cerca de R$ 2,00 para R$ 4,00. E os nossos automóveis se tornaram os mais baratos do mundo.

Basta fazer as contas: um carro que custasse aqui R$ 30 mil há dois anos, valia U$ 15 mil, pois U$ 1.00 valia R$ 2,00. Agora que U$ 1 é igual a quase R$ 4,00, o mesmo modelo teve seu preço em dólar reduzido para U$ 7.500.

Pode procurar em todas as tabelas de preços nos EUA e na Europa: não se compra nenhum modelo, por mais barato que seja, por U$ 7.500. Sem se esquecer de que, como continuamos tendo os mais altos impostos do mundo, cerca de U$ 3.000 vão para o cofre do governo. Sobram então apenas U$ 4.500 para a fábrica.

Os chatonautas que sempre fizeram suas contas em dólares desapareceram. Mas, diante desse novo argumento, eles não dão o braço a torcer e dizem: “Mas eu não ganho em dólares, meu salário é em reais”.

Boris Feldman

Jornalista e engenheiro com 50 anos de rodagem na imprensa automotiva. Comandou equipes de jornais, televisão e apresenta o programa AutoPapo em emissoras de rádio em todo o país.

Boris Feldman

8 Comentários

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  • Phil 22 de maio de 2018

    Era melhor nem ter publicado uma matéria ridícula igual a essa. Só um comentário pra matar de vez o assunto: salário médio americano é de 3 a 4 mil dólares. Em 1 ano teríamos em torno de 30 a 40 mil dólares no bolso, suficiente para comprar um carro zero kilometro nos EUA dos mais top ( vamos incluir ai as novidades como o novo Herta, etc). Agora vamos ao Brezil: salário médio em torno de 3 a 4 mil reais, que em 1 ano daria 30 a 40 mil reais. Pergunta que fica: qual carro zero kilometro se compra no Brezil com míseros 40mil reais????? Pra constar, nem o Goleta custa mais Isso, ja está bem mais caro viu.
    Depois dessa matéria caiu a credibilidade. Nunca mais meio matérias desse cara….

  • Gustavo 21 de maio de 2018

    Meu Deus, quem escreveu essa “matéria” ridícula?
    Deve ser alguém pago por alguma montadora ou alguma entidade ligada ao setor automobilístico brasileiro e acha que somos idiotas.
    Só um exemplo (que conheço os preços): Um Civic no Canadá custa 16.700, o equivalente a R$ 48.430,00 com a cotação de hoje a 2,90 (e olha que o dólar subiu pra kct esse mês). O mesmp carro aqui no Brasil custa 89.400,00. Ou seja, mesmo convertendo a moeda, o mesmo carro custa no Brasil quase o dobro que em um país desenvolvido.
    E o pior, o mesmo Civic fabricado no Brasil é exportado para a Argentina e vendido por R$ 52.000 (já convertido). Se deixar de ser fanboy de montadoras que dizem que o problema são os impostos, basta pegar os 2 valores e fazer a conta descontando as cargas tributárias em ambos os casos e verá que o LUCRO no Brasil é muito maior uma vez que o custo de fabricação é o mesmo.
    Temos os carros mais caros do mundo, isso já foi amplamente discutido e evidenciado, só nao enxerga quem não quer…

  • Alcides Canedo 20 de maio de 2018

    Sr. BORIS FELDMAN, de econômica ” acho que vc não entende, e de veículos automotores tenho certeza, já que o Sr. Está dando explicações sobre o valor dos veículos nacionais e do dólar, de também explicações dos altos impostos no Brasil, e compare com os impostos na Europa, EUA, e depois aliado a isso coloque na sua explicação que as indústrias automotivas no Brasil, não estão interessadas no rebaixamento de impostos e atrelado a isso enfiam o mesmo veículo dito ” mundial ” com muito menos, e inferiores, mas muito menos mesmo que no restante do mundo, e para terminar, o Sr. Tem razão em um item! Eu não ganho em dolar, e o salário de um trabalhador no Brasil e de outro do mesmo nível em seus diversos níveis, aqui em terras tupiniquins é muuuuito INFERIOR.

  • Marcelo Esposito 20 de maio de 2018

    Boa tarde Boris. Sua matéria não faz o menos sentido. Estou nos Estados Unidos e vi hoje um Passat RLine 2018 zero por U$ 20.000,00. Qualquer citação americano que ganhe uma salário médio de U$ 2.000,00 consegue ter esse veículo. Qual o salário médio que um brasileiro precisa ter para comprar um carro desse no Brasil. Não tem o que comparar o Brasil não é só o país dos impostos como da exploração. Devido a canais e pessoas como você que o nosso país está merda. Tudo que ganhamos fica com o governo, não temos nada, absolutamente nada em troca.

  • Alexsndre 20 de maio de 2018

    Kkkk. Os carros quando vem ao Brasil perdem 7 air bag controle de estabilidade perdem frenagem automatica saida de faixa farois de led teto solar perdem motorizacao enfim sai muito mais caro ainda vem praticamente a lataria

  • Carlos Sousa 20 de maio de 2018

    O que você não explica, nesta matéria muito curta, é que o lucro médio das montadoras é de 3% nos USA, 5% na Europa e 10% no Brasil. Como sempre os chatonautas sempre souberam, as montadoras ganham mais aqui e oferecem menos. Nós pagamos mais e temos menos. Simples.

    Se todos os consumidores fossem chatonautas, não aceitariamos muitas coisas que as montadoras nos empurram.

  • Não querendo ser chatonauta, mas ao mesmo tempo, dizendo que os carros mais baixos aqui tem também menos esquipamentos e certos confortos. 20 de maio de 2018

    Eu acho que as empresas ao invés de pagar certa vantagens para obter leis a seu favor, deveriam brigar para pagar menos impostos. Assim quem sabe não teríamos carros com melhores preços e outras vantagens. Para mim sempre foi ridículo e difícil aceitar o fusca pé de boi, mas que enganava muitos brasileiros por ser o carro popular.

    • Eduardo 11 de julho de 2018

      Quem tem que brigar pela redução dos tributos somos nós consumidores, porque as empresas são meras repassadoras, quando não se apropriam deles.

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