Fábrica usa manual para enganar freguês

Por BORIS FELDMAN10/10/16 às 18h26

Leitor da coluna diz ter levado o carro novo à concessionária para reclamar de um excessivo consumo de óleo do motor. Foi seu diagnóstico ao ter que completar com um litro nos primeiros mil quilômetros. A explicação – não convincente – do consultor técnico da oficina foi de que nos primeiros 1.000 a 1500 quilômetros seria normal um pequeno excesso no consumo do óleo do motor. Que depois de rodar uns cinco mil km, que a oficina disse ser o período de “amaciamento”, o consumo de óleo se reduziria.

O raciocínio da oficina está correto, mas muito otimista. Existe mesmo a possibilidade de um consumo excessivo de óleo até que as partes internas do motor, como pistões e cilindros, se ajustem entre si. É o chamado “assentamento” destes componentes, essencial para que o consumo entre na normalidade.

Nosso leitor se diz desconfiado desta explicação e acha pouco provável que o consumo se reduza tanto aos 5.000 km. Eu diria que não precisa ficar desconfiado: pode ter certeza de que esta explicação é conversa para boi dormir…

É bem verdade que o motor pode apresentar um pequeno excesso no consumo de óleo nos primeiros quilômetros. Mas nada que exceda uns 5 a 10% do valor considerado normal. Ora, há um consenso entre as fábricas de automóveis de que o consumo de óleo do motor não deve exceder um litro cada 5.000 km. Ou seja, o motor do leitor está queimando cinco vezes além do valor considerado razoável. Posso apostar que, aos 5.000 km, ele ainda estará consumindo um volume muito excessivo de óleo, pois é óbvio que o motor apresenta alguma deficiência. Queimar um litro por 1.000 km só é razoável em motores que já rodaram dezenas ou centenas de milhares de quilômetros, jamais num carro zero km.

Entretanto, algumas fábricas, para se eximir de responsabilidade, costumam colocar no manual do proprietário ser “normal” este consumo de um litro de óleo cada 1.000 km. Não é!

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