Ghosn se aproxima do número mágico

Por BORIS FELDMAN23/10/16 às 15h29

Já teve uma bola de cristal anunciando que toda a indústria automobilística mundial se resumirá a cerca de 10 grandes empresas a médio prazo. É difícil acreditar, mas são tantas as parcerias, compras e fusões entre as fábricas que se vê realmente um número cada vez mais reduzido de empresas, todas se concentrando em grandes corporações. A ideia básica é de se diluir entre várias marcas (de um mesmo grupo) os gigantescos investimentos necessários para o lançamento de novas gerações de automóveis.

A última dessas associações vem do Japão. A Aliança Renault-Nissan comprou parte substancial (34%) do capital da Mitsubishi e seu controle acionário. O brasileiro Carlos Ghosn, que já comandava a Aliança é quem assume também o comando de mais esta japonesa.

Para o consumidor, há vantagens e desvantagens. Lado positivo é que, desde que a Renault comprou a Nissan, franceses e japoneses passaram a compartilhar componentes mecânicos e até plataformas completas. Não se surpreenda ao descobrir que um Renault só tem a carroceria diferente de um Nissan: toda a plataforma e mecânica podem ser exatamente iguais. O consumidor mais exigente perde uma opção de mercado, pois será mais um modelo com mesmas respostas mecânicas.

Porém, há vantagens: hoje, no Brasil, componentes da Renault e Nissan podem ser comprados nas concessionárias de qualquer uma das duas redes. Se falta numa, encontra-se na outra. Pode ser mais barato na francesa que na japonesa. E, vai acabar acontecendo o mesmo com os carros Mitsubishi.

A importância dessas três marcas juntas é que a nova empresa fica agora bem mais próxima do número mágico de dez milhões de unidades anuais. E chega perto das duas maiores do mundo, Toyota e Volkswagen.

Boris Feldman

Jornalista e engenheiro com 50 anos de rodagem na imprensa automotiva. Comandou equipes de jornais, televisão e apresenta o programa AutoPapo em emissoras de rádio em todo o país.

Boris Feldman

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