¿Hay avanzo? Soy contra…

Por BORIS FELDMAN04/06/17 às 09h56

Quantas vidas foram salvas pelo cinto de segurança? Entretanto, ao ser tornado obrigatório no Brasil, houve uma violenta reação ao equipamento, até da própria imprensa.

O principal argumento: “Absurdo! Se o carro cai no rio ou pega fogo, eu morro afogado ou queimado pois o cinto vai impedir de me safar”. Inútil tentar explicar que era exatamente o cinto que protegeria os ocupantes, mantendo-os conscientes e aptos a se safar.

Reagir contra avanços é inerente ao homem. São muitos os motoristas que se aborrecem quando se anuncia um novo dispositivo eletrônico de segurança: “ E como fica o prazer de dirigir se o carro é todo controlado pela informática?”.

Se reagem contra a parafernália eletrônica que “pasteuriza” o comportamento do automóvel, imaginem quando chegar o carro autônomo de fato, que nem volante terá…”

Os argumentos são os mais curiosos: “Dirijo há mais de trinta anos, meus primeiros carros não vinham com nenhum equipamento de segurança e continuo vivo”. E se esquecem de que, por sorte, sobreviveram para contar história. Mas milhares de azarados não estão vivos para contra-argumentar…
A reação contrária pode ser motivada por interesse pessoal. Se ainda não existem no Brasil postos de serviço com bomba automática (do tipo self-service, como no Primeiro Mundo), não é, com certeza, por falta de tecnologia para debitar o valor no cartão de crédito ou ser pago no caixa do posto.

O que atrasa o país e encarece o preço do combustível é a inexplicável força do sindicato dos frentistas…mais forte que o dos acendedores de lampião a gás nas ruas, no início do século 20. Eles reagiram contra o avanço mas acabaram derrotados pela iluminação elétrica.
Aliás, voltando ao Primeiro Mundo, alguém já viu por lá algum trocador em ônibus?

MÍDIA
Nos mais de cinquenta anos como jornalista, fui testemunha dos inúmeros avanços tecnológicos que evoluíram a cobertura de eventos, as redações e parques gráficos de jornais e revistas. E não adianta reagir: difícil imaginar que a mídia impressa iria levar golpe tão rápido e certeiro da digital.

Jornais e revistas vão encontrar seus nichos, mas, por enquanto, ganham assinantes eletrônicos e perdem na edição impressa. Títulos poderosos como “The Washington Post” ou “The New York Times” continuam valendo centenas de milhões de dólares porque avalizam a edição digital com sua credibilidade. A diferença entre blog que dá palpite sem fundamento ou divulga notícia sem confirmá-la e jornalismo sério na web é a confiabilidade da informação assinada pelos verdadeiros profissionais da área.

Há quem diga que a tecnologia avança hoje dez vezes mais rapidamente que no século passado. O automóvel está aí para confirmar a tese e continuar provocando reações contrárias. Fonte alternativa de energia: todas as sinalizações do setor apontam para a elétrica como substituta dos atuais combustíveis.

Eu me confesso um apaixonado pelo automóvel que ronca grosso e desprezava os elétricos até dirigir um deles, de 750 cv e que faz de zero a 100 por hora em três segundos…

O principal argumento de quem é contra o carro elétrico? “O problema é a bateria!” e faz de conta ignorar (ou não sabe mesmo…) que já existe no mercado o veículo que gera sua própria energia elétrica e dispensa a bateria. Como? Seu tanque é abastecido com hidrogênio que produz eletricidade numa célula a combustível (fuel cell). “Mas o hidrogênio é caro de se obter e difícil de se armazenar!” alegam os que reagem a mais este avanço.
E provavelmente continuarão reagindo mesmo ao saber que o tanque pode ser abastecido com álcool, exatamente o mesmo que existe em nossos postos: dele se obtêm (com um equipamento chamado “reformador”) o hidrogênio para alimentar a “fuel cell”. Solução de mobilidade que, para a matriz energética brasileira, seria sopa no mel!

Boris Feldman

Jornalista e engenheiro com 50 anos de rodagem na imprensa automotiva. Comandou equipes de jornais, televisão e apresenta o programa AutoPapo em emissoras de rádio em todo o país.

Boris Feldman

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