Limpar para quê, cara pálida?

Por BORIS FELDMAN07/11/16 às 19h19

A maioria das concessionárias age com respeito ao cliente, principalmente sua oficina, que pode se transformar numa inesgotável fonte de maracutaias. É por isso que o dono do carro deve prestar atenção ao levar o carro em garantia para a revisão periódica numa concessionária.

Não tem fábrica com rede “melhor” ou ‘pior” de concessionárias, pois tudo depende da postura de seus donos ou executivos. Outro dia eu recebi de um leitor da coluna foto da recepção da oficina de uma concessionária Volkswagen. Um quadro atrás dos consultores técnicos anuncia ser recomendado, a cada 10 mil km, uma limpeza no “sistema de injeção”. Ela não explica quem “recomenda” e deixa isto no ar pois é óbvio que a recomendação não é da fábrica, mas da própria concessionária no afã de aumentar seu faturamento seja lá como for. Eticamente ou não.

O tal quadro entra em detalhes e especifica que a limpeza é “integral”, pois vai desde o tanque de combustível até a câmara de combustão e pistões, passando por válvulas injetoras, coletores, e válvulas de admissão. Além disso, promete também descarbonizar o motor e garante aumento de desempenho e potência, reduz consumo e emissões. Só não diz que o motivo principal do serviço é tomar mais de R$ 100 do cliente, sem nenhuma necessidade.

É a sofisticação da picaretagem. Ou seja, ao invés de anunciar a limpeza de bicos injetores que já ficou muito manjada, ela provavelmente coloca um “super aditivo” no tanque que teria todos os poderes anunciados na tabuleta.

Esta limpeza “integral” pode até ser necessária, mas só se o motorista perceber o motor funcionando irregularmente. Se a marcha-lenta estiver falhando ou o motor espirrar ao ser acelerado. Ou baixo desempenho com elevado consumo. Mas, a sugestão é de que ele autorize o serviço sem que o consultor técnico tenha sequer chegado perto do automóvel. Caso típico de “empurroterapia”!


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