Mais uma piada pronta

Por BORIS FELDMAN12/02/17 às 13h43

Como diria o Zé Simão, o Brasil é o país da piada pronta.

Ao abastecer no posto, alguns motoristas mandam encher até a boca, para ganhar mais alguns quilômetros de autonomia. Apesar de a bomba ter um travamento automático, os frentistas sempre dão um “jeitinho” de abastecer até o limite superior, pois existe uma posição do bico de abastecimento que neutraliza o sistema de bloqueio.

Alguns frentistas nem perguntam nada ao motorista e já vão enchendo sem respeitar a trava automática. E o dono do posto bate palmas, pois alguns litros adicionais por automóvel sempre representam centenas de litros adicionais ao final do dia. Curioso é que este abastecimento “até a boca” não é iniciativa apenas do frentista, mas de muitos motoristas que não fazem ideia de suas consequências.

Há vários problemas neste abastecimento irregular, quando o bloqueio automático é burlado. O primeiro é que o líquido em excesso danifica o canister. Um filtro colocado próximo ao tanque e encarregado de reduzir a poluição da atmosfera provocada pelos gases emitidos pelo combustível.

O projeto do tanque prevê, em sua parte superior, um espaço sem o líquido, por onde os gases emitidos pelo combustível sobem até perto da tampa e seguem por um tubo até o canister.

Na falta deste espaço (quando se completa até a tampa), ao invés de gases, o canister receberá o combustível em estado líquido, extremamente prejudicial ao filtro. E ainda tem outro inconveniente: o líquido pode escorrer para fora do tanque e manchar a pintura.

Finalmente, o excesso de combustível facilita que o frentista respire os gases da gasolina, benzeno entre eles, prejudiciais à saúde.

Agora a piada pronta: foram aprovadas recentemente, leis municipais e estaduais que proíbem o frentista de burlar o desligamento automático da bomba. E a pergunta: como será a fiscalização deste abastecimento e como punir o posto que burla o bloqueio da bomba? Um policial (ou fiscal) em cada posto?

Boris Feldman

Jornalista e engenheiro com 50 anos de rodagem na imprensa automotiva. Comandou equipes de jornais, televisão e apresenta o programa AutoPapo em emissoras de rádio em todo o país.

Boris Feldman

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