A moda no setor automobilístico tem alguma lógica?

Não há explicação que justifique a preferência do mercado por algumas cores e categorias

Por BORIS FELDMAN25/05/18 às 14h21

14As tendências e a moda no setor automobilístico já renderam várias histórias. No Brasil, houve uma época em que se abominavam os carros de quatro portas. Simplesmente ninguém comprava um automóvel com esta carroceria sem nenhuma explicação lógica. Modelos que as fábricas traziam da matriz e que tinham apenas a versão de quatro portas eram reprojetados com apenas duas portas para serem produzidas no Brasil. Que durante muitos anos foi o único país no mundo a ter esta preferência. Com as desculpas mais esfarrapadas como “vão confundir meu carro com taxi” ou “é mais seguro para as crianças sem as portas traseiras” e outras besteiras do gênero.

Outro modismo inexplicável foi a súbita predileção de todo o mercado pelos carros pintados de preto ou prata. Durante muitos anos praticamente não se via outra cor nas ruas. De alguns anos para cá, percebeu-se o fim da ditadura do PP… e as ruas ficaram mais coloridas.

Em 2016, 41% dos carros vendidos no Brasil eram da cor branca, ficando a prata em segundo lugar e o preto em terceiro. Diga-se de passagem, a cor preta deveria ser a última na preferência do mercado de um país tropical, com sol a pino todo o ano. Ela é a que mais absorve os raios solares e, portanto, aquece muito mais a cabine do automóvel.

Carro branco, SUVs... Por que é que o consumidor faz com que algumas características virem moda no setor automobilístico?
Mitsubishi | Divulgação

Outra tendência é do utilitário esportivo: no ano passado, o mercado de automóveis caiu 19% no Brasil, enquanto o segmento dos SUVs cresceu 7%. Explicação da preferência? Ele anda melhor nas ruas esburacadas e oferece maior segurança e visibilidade por ser mais alto. A ascensão dos utilitários esportivos liquidou com o segmento das peruas e ninguém mais quer saber de “station-wagon”. Como modismo não se questiona, pois não é racional, quem leva um SUV para casa feliz da vida não dá a menor pelota para seus pontos negativos. Há até quem adore aquele famigerado pneu sobressalente dependurado na tampa traseira. Ainda bem que é um “sub-modismo” em decadência e os novos SUVs estão abandonado esta solução. O utilitário esportivo tem diversos inconvenientes: por ser mais elevado, tem a estabilidade reduzida, é mais pesado, tem maior consumo de combustível e mais difícil de manobrar em lugares apertados. Mas ninguém se lixa para isso… Só se leva em conta a moda no setor automobilístico!

Boris Feldman

Jornalista e engenheiro com 50 anos de rodagem na imprensa automotiva. Comandou equipes de jornais, televisão e apresenta o programa AutoPapo em emissoras de rádio em todo o país.

Boris Feldman

0 Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se identificar algo que viole os termos de uso, denuncie.
Deixe um comentário