O mercado se mexe

As fábricas criam alternativas para tornar o financiamento mais atrativo e estimular as vendas de carros zero km

Por BORIS FELDMAN24/10/16 às 18h59

Desde que Michel Temer assumiu a presidência e Henrique Meirelles o comando da economia, houve uma inflexão na curva que retrata o estado de ânimo do mercado. Ela pode não ter apontado ainda para cima mas, pelo menos, não continua mirando o porão.

Mas só otimismo não resgata empregos, não baixa a inflação nem faz surgir crédito no mercado. São reações lentas e previstas para o próximo ano, na melhor das hipóteses. Mas os executivos não cruzam os braços à espera da retomada da economia e imaginam fórmulas para atrair o consumidor. Se funcionarem na época de vacas magras, bombariam ainda mais lá na frente com o mercado em alta.

Se o financiamento é uma considerável barreira e espanta clientes pois falta crédito e os juros estão elevados, a idéia é criar alternativas para estimular negócios. Toyota e Honda, por exemplo, lançaram quase simultaneamente no mercado um plano para financiar carro zero km num esquema muito semelhante ao do leasing.

Chamado de “Ciclo Toyota” ou “Plano Unique Honda”, o consumidor dá uma entrada de 30% a 40% do valor do carro. Financia outros 30% ou 40% em 12, 24 ou 36 parcelas mensais. E o valor residual, de 30 ou 40%, pode ser amortizado com a recompra do automóvel pela concessionária, que paga 85% do valor da tabela Fipe. Ou refinanciado em até 18 meses caso o freguês tenha interesse em permanecer com o carro.

O governo vai dar também sua contribuição para agilizar o financiamento e reduzir juros. Atualmente, recuperar o carro de um consumidor que se tornou inadimplente é uma novela mais longa que as da Globo. São tantos empecilhos burocráticos que até fazer valer uma ordem judicial de busca e apreensão já se passaram meses (anos, às vezes…) e a financiadora acaba recebendo o carro em situação miserável. Entretanto, está para ser implementada uma nova ferramenta jurídica que agiliza seu resgaste, tornando possível a apreensão 60 dias depois de confirmada a inadimplência. O que reduziria sensivelmente os custos das financeiras e que poderiam, então, diminuir as taxas da operação. No frigir dos ovos, o financiamento do carro seria mais atraente e os justos deixariam de pagar pelos pecadores.

Por outro lado, o consórcio vem se tornando uma boa alternativa ao financiamento do automóvel. Quanto mais difícil a obtenção de crédito e os juros elevados, maior a adesão ao plano consorcial. Que tem vantagens e desvantagens, mas que chama a atenção atualmente por algumas das normas estabelecidas pelo Banco Central. Uma delas que passou a atrair o consorciado é a valorização da carta de crédito, entregue ao contemplado por sorteio ou lance. É como se fosse um cheque ao portador emitido pela administradora para se comprar um produto qualquer. Entretanto, caso o consorciado tenha interesse em adquirir um automóvel, mas o modelo esteja em fim de linha e já anunciado seu substituto para daí a três ou quatro meses, nenhum problema: o valor de face da carta de crédito é atualizado mensalmente pelo índice Selic. Ou seja, se o novo modelo custar um pouco mais caro, o consorciado continua tendo condições de adquirí-lo sem nenhum desembolso extra. Ao contrário, se ele mantem a carta no bolso e deixa para fechar o negócios três meses depois e o carro não teve aumento de tabela, o consorciado poderá comprar um modelo de maior valor. E finalmente, uma vantagem extra: os rendimentos financeiros obtidos pela valorização da carta de crédito não estão sujeitos a pagar o Imposto de Renda. Uma bela opção de aplicação!


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