O que determina a eficiência do carro?

Mais que um século depois de ser inventado, o carro tem passado por diversos aperfeiçoamentos para torná-lo mais inteligente e menos destrutivo

Por BORIS FELDMAN17/06/18 às 13h00

Tem mais de cem anos que os engenheiros se dedicam a tornar o automóvel mais eficiente. Uma ideia que nem passou pela cabeça dos pioneiros que o projetaram no final do século XIX: os alemães e franceses que fizeram movimentar – com um motor de combustão interna – uma trapizonga sobre rodas, não ambicionavam nada além e nem pensavam em melhorar a eficiência do carro.

Esta história centenária passa por altos e baixos que apontam o carro como herói ou vilão em cada época. Hoje ele está mais “para as ameaças do inferno que pelas esperanças do paraíso” (apud Omar Khayaam, sec. XI).

Para tentar mantê-lo o mais distante possível da “cidadela ardente”, as fábricas estabeleceram três objetivos para tornar o automóvel menos agressivo ao meio ambiente : o primeiro lado do triângulo na eficiência do motor, o segundo no alívio do peso e o terceiro na redução das forças que resistem ao seu movimento.

triângulo da eficiencia do carro termina com os autônomos
(Fabiano Azevedo/AutoPapo)

Reduzir a ineficiência do motor a combustão interna não é tarefa simples, pois trata-se de uma engenhoca com princípios de funcionamento arquitetados há mais de cem anos, sem modificações essenciais desde então. Seu avanço tecnológico mais acentuado só se deu recentemente, com a interferência da eletrônica em seu comando.

O segundo lado vem sendo conduzido pela engenharia de materiais, com resultados extraordinários no desenvolvimento de componentes mais leves e resistentes. A óbvia utilização do aço se curvou diante de outros metais, plásticos e compostos. As próprias siderúrgicas correram para elaborar aços especiais e combater a invasão do alumínio.

Projetos novos focam cuidadosamente este objetivo de melhorar a eficiência do carro e os resultados já se fazem observar, com alívio de até 20% no peso original de alguns modelos. Numa destas picapes norte-americanas, por exemplo, a nova geração tem 300 kg menos que a anterior. Alguns de nossos modelos médios e compactos já se utilizam de modernos processos para produzir componentes de carroceria, com laser ou estampagem a quente do aço, reduzindo significativamente seu peso sem perder resistência.

O terceiro lado se apoia na redução dos vetores que dificultam a movimentação do veículo. O mais importante é a barreira de ar à sua frente. O esforço exercido pelo carro para vencê-la cresce geometricamente com a velocidade. E se reduz com o aperfeiçoamento da aerodinâmica do automóvel, através de simulação de suas formas em computadores e ensaios em gigantescos túneis de vento.

Estão lembrados das imponentes grades (rigorosamente verticais) dos automóveis das décadas de 30? Ou da frente da Kombi? Imaginem o esforço necessário (e a energia despendida pelo motor) para vencer a massa de ar à sua frente em velocidades superiores a 100 km/h.

Além da aerodinâmica, há outros fatores que dificultam o rolamento de um automóvel no asfalto. Um deles está sendo aliviado com os pneus “verdes”. Que, aliás, já estão em sua segunda geração, os “super verdes”. Há outros atritos a serem reduzidos na mira dos engenheiros, como rolamentos de rodas e outros componentes móveis da transmissão.

A engenharia das fábricas vem oferecendo boas soluções aos desafios mecânicos impostos pelos três lados deste triângulo da eficiência do carro. Só não imaginava, até um passado recente, que poderia se dedicar também a um outro fator, o humano, igualmente importante na evolução do automóvel e de seu alinhamento com os anseios da sociedade.

Seria o quarto lado que está se viabilizando com muita sofisticação eletrônica: a substituição do motorista, que muitas vezes põe a perder todos os recursos tecnológicos presentes no carro, mesmo nos mais modernos. O automóvel autônomo é a resposta que faltava para fechar este ciclo de desenvolvimento. Eliminar o volante e a besta quadrada que vai atrás dele é a solução natural para mais este lado do triângulo e transformá-lo num quadrado que se fecha em suas próprias soluções.

Boris Feldman

Jornalista e engenheiro com 50 anos de rodagem na imprensa automotiva. Comandou equipes de jornais, televisão e apresenta o programa AutoPapo em emissoras de rádio em todo o país.

Boris Feldman

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