Pressão dos pneus mais alta ou baixa? Nenhuma das duas

Tem dica por aí que fala que aumentar ou diminuir a pressão dos pneus melhora o consumo ou o conforto, mas não aponta as desvantagens

Por BORIS FELDMAN03/06/18 às 09h00

Sabe aquele mito de se colocar a pressão dos pneus mais alta ou baixa? Não se deve fazer nem uma, nem outra. Esta “dica” faz parte da enorme lista de falsas informações que circulam pela internet. A primeira sugere que o motorista reduza três a quatro libras na calibragem dos pneus recomendada no manual do proprietário. Sob o argumento de que o carro fica mais confortável, roda mais “macio” e transmite menos as irregularidades do piso para os ocupantes. Pode até ser verdade. Porém, ao se reduzir a calibragem recomendada pelo fabricante, há um aumento no desgaste do pneu, que terá sua durabilidade significativamente reduzida. Ou seja, o ligeiro conforto adicional vai custar um desconforto no bolso do dono.

pressão dos pneus mais alta ou mais baixa calibragem

Além disso, o consumo de combustível vai aumentar pois, quanto menor a pressão no pneu, maior o atrito a ser vencido pelo motor. E, sempre que o motor “trabalha” mais, pede também mais combustível ao tanque. Então mais um prejuízo do bolso, o aumento do consumo.

Finalmente, com a calibragem reduzida o carro perde também em estabilidade, fica mais sujeito a derrapar lateralmente nas curvas. Ou seja, compromete a segurança veicular.

Por outro lado, tem uma sugestão contrária, também na internet (que vem se revelando uma inesgotável fonte de informações e dicas sem a menor fundamentação técnica): se a pressão dos pneus for calibrada com algumas libras adicionais, haverá uma redução no consumo de combustível.

Assim como a primeira, esta dica também está correta. Entretanto, assim como a anterior, ela não mostra o outro lado da moeda, as desvantagens decorrentes de se aumentar a pressão do pneu. Ou seja, maior pressão reduz seu atrito contra o piso, o motor é aliviado e pede menos combustível ao tanque.

Entretanto, aumentar a calibragem resulta também num desconforto para os ocupantes do automóvel, redução na vida útil do pneu e de alguns componentes da suspensão. Ou seja, os reais que se economizam no combustível acabam saindo do bolso para pagar o desgaste prematuro dos pneus. E mais o desconforto dos ocupantes do automóvel.

Boris Feldman

Jornalista e engenheiro com 50 anos de rodagem na imprensa automotiva. Comandou equipes de jornais, televisão e apresenta o programa AutoPapo em emissoras de rádio em todo o país.

Boris Feldman

1 Comentário

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  • Anderson Guillens 28 de julho de 2018

    Realmente, ter um carro ou algo para se locomover nesse país é muito caro, sem falar das ruas da cidade, que as prefeituras passam um recapeamento vagabundo.

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