Profundezas pneumáticas

Por BORIS FELDMAN14/02/17 às 14h18
(Fabiano Azevedo/AutoPapo)

Não é – com certeza – esperando que ele fique careca! Até porquê, se ele chegar a este ponto de desgaste, já estará fora da lei e o motorista sujeito a multa se o carro for parado numa blitz.

O que indica o momento de substituir o pneu é o TWI, iniciais em inglês de Tread Wear Indicator (ou indicador de desgaste do sulco). Trata-se de um “tijolinho” de borracha que fica no fundo do sulco em alguns pontos do pneu. Quando o desgaste da banda de rodagem atinge o TWI, é porque sua profundidade chegou a 1,6 mm, mínimo permitido pela legislação.

Entretanto, há uma controvérsia em relação a esta profundidade, pois este sulco mínimo seria adequado apenas para o asfalto seco. Na pista molhada, o sulco deveria ter um mínimo de 2,5 a 3,0 mm de profundidade, para remover a água que fica entre a banda de rodagem e o asfalto. Não elimina, mas reduz o risco da terrível aquaplanagem.

Na verdade, embora o TWI seja de 1,6 mm, quem se preocupa de verdade com a segurança troca o pneu quando o sulco se reduz a 3,0 mm. E quando a profundidade do sulco é maior numa extremidade da banda de rodagem? E se ele estiver com 3,0 mm de um lado, mas já foi além do TWI no outro?

Neste caso, deve-se considerar o lado de sulco mínimo (e trocar os pneus) e perceber que esta diferença é uma sinalização para se alinhar a direção do automóvel, que deve estar com algum problema.

Pois o desgaste da banda deve ser uniforme de lado a lado. O que costuma ocorrer, principalmente no Brasil, é o manual recomendar o alinhamento cada 10 mil km. Entretanto, este padrão internacional não vale para as nossas estradas que não seguem o padrão internacional de qualidade…

Dificilmente se mantem a geometria de direção de um carro sujeito às nossas crateras asfálticas. Se o carro passou por uma delas e as rodas levaram um “tranco”, o impacto num buraco (ou quebra-molas) pode alterar as medidas de alinhamento. O que explica o desgaste irregular do pneu.

Boris Feldman

Jornalista e engenheiro com 50 anos de rodagem na imprensa automotiva. Comandou equipes de jornais, televisão e apresenta o programa AutoPapo em emissoras de rádio em todo o país.

Boris Feldman

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