Quanto mais alto, maior o tombo…

Por BORIS FELDMAN04/09/16 às 14h51

Com a globalização e a briga de foice pela redução de custos, uma pequena fábrica só consegue sobreviver se dedicada à produção para atender à demanda de um nicho, um pequeno segmento de mercado. Que pode pagar mais caro por um produto exclusivo, sofisticado.

Caso contrário, ou a empresa se torna grande, gigantesca, e dilui seus investimentos num grande volume de unidades produzidas, ou sai do mercado pois perde competitividade. Exemplo típico são as fábricas de automóveis. Seu número está se reduzindo dia a dia, através de parcerias, compras ou fusões. A finalidade é aumentar seu volume de produção. O lançamento de um novo modelo implica em investimento de centenas de milhões de dólares. Se não for diluído na produção de milhões de unidades, a empresa não tem retorno dos valores aplicados no projeto.

As fábricas de componentes, as fornecedoras de autopeças, passam por processo semelhante: elas tem que crescer e aumentar o volume de produção para reduzir o custo unitário do produto.

Recentemente, a Takata (fábrica japonesa de air bags) se viu envolvida num gigantesco recall mundial que envolveu mais de oitenta milhões de unidades de diversas marcas.

No Brasil, carros da Honda e Toyota já foram chamados e, no momento, a BMW faz aqui um recall para trocar os airbags da Takata.

Outro exemplo de um mesmo problema que atinge diversas marcas também acontecendo agora no Brasil é o recall para reparar o servo-freio dos modelos Peugeot 308 e 408. Por coincidência, no dia seguinte ao recall anunciado pela Peugeot, apareceu na imprensa a Citroën chamando de volta às concessionárias o seu sedã C4.

O motivo era o mesmo : servo freio. Mas não é coincidência: é até previsível pois as duas marcas francesas pertencem à mesma holding, a PSA. E estes modelos são ambos produzidos pela mesma fábrica na Argentina. Um recall complicado pois foi detectado um erro na montagem do servo-freio que poderia eventualmente deixar o motorista sem freio.


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