Como funciona o seguro popular para automóveis

Conheça as regras, vantagens e desvantagens da proteção "mais baratinha"

Por BORIS FELDMAN22/02/18 às 10h50

O seguro popular foi criado em 2016 e é focado em veículos com mais de cinco anos de idade e valor até sessenta mil reais. Esta foi a regra estabelecida pelas companhias de seguro para implantar a nova modalidade de proteção veicular. Sua vantagem é reduzir, de acordo com a Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg), 30% o custo da apólice tradicional. Mas nem só de pontos positivos vive o seguro popular…

Para compensar o preço baixo, no reparo do carro não são obedecidas certas regras que regem o seguro convencional, a começar pelos componentes usados pela oficina para repará-lo. No seguro tradicional, a oficina deve necessariamente utilizar peças originais ou genuínas. Ou seja, fornecidas pelas concessionárias e dentro de embalagens caracterizadas pela fábrica do automóvel.

No seguro popular, poderão ser usados componentes de desmanches ou peças não genuínas, as chamadas “genéricas”. Isso dentro de uma nova regulamentação do “ferro velho” (ou desmanche), que estabelece um critério para utilização: estão excluídas as peças que interferem na segurança do automóvel. Não se pode adquirir no desmanche componentes da suspensão, direção e freios. Para todas as outras, não há restrições.

Outra diferença do seguro popular é que ele dá direito ao reparo no caso de colisão e reembolso de 80 a 90% da tabela FIPE no caso de furto, roubo ou perda total. Nos seguros convencionais, o ressarcimento é de 100%.

O seguro popular para automóveis custa cerca de 30% menos do que a proteção convencional. Confira as regras para contratar a nova modalidade e as suas desvantagens.

Às vezes, o barato sai caro. A franquia no seguro popular é, em média, 30% mais cara do que os planos de proteção já existentes. O que significa que, se o motorista se envolver em uma colisão, pode perder toda a economia adquirida por contratar a nova modalidade. O valor de indenização por danos a terceiros também pode ter limite menor. A seguradora Azul, que faz parte do grupo Porto Seguro, apresenta um ressarcimento equivalente à metade da cobertura a terceiros nos seguros populares.

A assistência também sofre um pouco com a redução de custos. O seguro popular só oferece 100 km de cobertura para guinchos, por exemplo. A distância é bem menor do que os 400 km comuns às companhias de seguro.

O objetivo desta modalidade é aumentar o volume de automóveis segurados no Brasil. Estima-se que apenas 30% da frota circulante é protegida, um percentual considerado muito baixo em relação a outros países.

Aplicou-se, então, a teoria dos biscoitos “Tostines”: a dúvida é se o brasileiro não faz seguro por ser caro, ou se o seguro é caro porque poucos fazem…

Boris Feldman

Jornalista e engenheiro com 50 anos de rodagem na imprensa automotiva. Comandou equipes de jornais, televisão e apresenta o programa AutoPapo em emissoras de rádio em todo o país.

Boris Feldman

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