Simulador na autoescola: foi uma novela até aqui

O dispositivo ajuda o aluno a se preparar para situações perigosas na estrada, evitando acidentes

Por BORIS FELDMAN26/05/18 às 19h30

O motorista brasileiro dirige mal. Primeiro, por não ter sido devidamente educado para se comportar adequadamente no trânsito. Segundo, pelas deficiências das autoescolas que oferecem cursos para os candidatos à carteira de habilitação. E daí a importância do simulador na autoescola.

simulador na autoescola
(Divulgação)

Qualquer esforço no sentido de tornar o brasileiro um motorista mais consciente e melhor preparado tem que ser aplaudido de pé. Recentemente, ninguém menos do que o presidente da associação das autoescolas de São Paulo declarou que nestes cursos, “os alunos fazem de conta que aprendem, os professores fazem de conta que ensinam”.

Além das deficiências do aprendizado, ainda existem as irregularidades. Outro dia, várias destas escolas foram flagradas simulando a presença de alunos para cumprir o horário mínimo estabelecido pelo Detran.

Não é a toa que o Brasil detém o triste troféu de estar entre os países com número recorde de vitimas em acidentes rodoviários. E as estatísticas confirmam que os defeitos mecânicos nos veículos participam em quantidade mínima nestes registros: ou é culpa do governo que não tomou conta da rodovia ou do motorista que errou ao volante.

A novela dos simuladores na autoescola começou em 2013, e nesse tempo eles foram e deixaram de ser obrigatórios diversas vezes. No último capítulo foi estabelecido que, a partir de janeiro de 2017, as autoescolas se tornaram obrigadas a incluir no curso cinco aulas no simulador, consideradas essenciais para que o aluno tenha noção de como se safar de situações adversas ao volante.

Aula teórica nenhuma tem como explicar ao aluno seu comportamento no asfalto molhado, por exemplo. Colocá-lo ao volante de um automóvel real deslizando na estrada é impossível. Ao contrário do simulador que pode estabelecer na tela uma situação complexa de trânsito e treinar o “motorista” a se safar com segurança.

O simulador na autoescola tem a vantagem de preparar com muito mais eficiência o cidadão candidato à motorista e, quem sabe, reduzir esta verdadeira carnificina rodoviária brasileira.

Boris Feldman

Jornalista e engenheiro com 50 anos de rodagem na imprensa automotiva. Comandou equipes de jornais, televisão e apresenta o programa AutoPapo em emissoras de rádio em todo o país.

Boris Feldman

2 Comentários

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  • Walex gomes 10 de outubro de 2018

    Eu acho muito ladroagem vc tem paga 350.00 pra joga em videio game .Isso pra ganha dinheiro. Brasileiro . Por que sao as aulas pratica que faiz vc aprede verdade ela vc aprede dirigir no trasinto . Cade que eles dão colhe de cha na prova e so se lasca e gasta mais dinheiro

  • Marcela 15 de setembro de 2018

    Sou contra o uso do Simulador de direção veicular, é só mais um jeito dos fabricantes de simulador e dos que vendem as aulas ganharem dinheiro com isso.
    Enquanto a aula prática de 50 min. custa em média R$ 50,00 reais. A aula de 30 min. num simulador custa uns R$ 70,00 reais.
    O problema do aprendizado para conduzir veículos não está sendo resolvido nem um pouco com o uso de simuladores de direção, pelo contrário, se essa carga horária do simulador fosse na prática com o instrutor como o restante das aulas, como era antes, ajudaria mais o aluno a adquirir experiência.
    Para melhorar nosso trânsito, evitar acidentes, não há dúvidas de que a solução é ter condutores melhores e mais conscientes (já que mais de 90% dos acidentes são causados por falha humana).
    Mas, pra resolver, precisa de várias coisas:
    Precisa que as crianças tenham aula de trânsito desde a pré escola como está na legislação. Porém, o que vemos na prática é a realização de algum projeto na semana nacional do trânsito e pronto. Todas as pessoas são pedestres antes de completarem seus 18 anos, e alguns até são ciclistas, a maioria dos pedestres e ciclistas, só vão aprender sobre seus direitos e deveres na autoescola, porque querem se tornar condutoras de veículos. Mas e antes disso?
    Precisa que as clínicas credenciadas pelo DETRAN, autoescolas e servidores públicos cumpram seus papéis de prestadoras de serviço com capacidade, eficiência, comprometimento com um trânsito seguro. (E para isso acontecer é necessário que diminua a burocracia e aumente a fiscalização)
    Precisa que os candidatos tenham consciência da importância de conhecer as leis de trânsito, conhecer os perigos a que se está exposto, as maneiras de se evitar, e de defender numa situação inevitável. Precisa que saibam que não é porque tiraram a carteira mês passado que já podem pegar uma rodovia movimentada sem uma pessoa experiente junto. Depois que tirei a carteira mesmo, minha mãe não me deixava conduzir numa rodovia movimentada considerada perigosa sozinha, eu estava com 18 anos, aprendi tudo numa autoescola excelente, fiz o processo todo para adquirir a PPD em 3 meses, então é pouco tempo para adquirir a experiência necessária para algumas coisas.
    Também, se melhorasse a infraestrutura das rodovias, tipo duplicar mais as pistas, aumentasse a sinalização, também ajudaria bastante.
    E por fim, as palavras chaves são EDUCAÇÃO E CONSCIÊNCIA.

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