Simulador: próximo capítulo será o último da série ?

Por BORIS FELDMAN18/12/16 às 17h02

O motorista brasileiro dirige mal. Primeiro, por não ter sido devidamente educado para se comportar adequadamente no trânsito. Segundo, pelas deficiências das auto-escolas que oferecem cursos para os candidatos à carteira de habilitação.

Qualquer esforço no sentido de tornar o brasileiro um motorista mais consciente e melhor preparado tem que ser aplaudido de pé. Recentemente, ninguém menos do que o presidente da associação das auto-escolas de São Paulo declarou que nestes cursos, “os alunos fazem de conta que aprendem, os professores fazem de conta que ensinam”…

Além das deficiências do aprendizado, ainda existem as irregularidades. Outro dia, várias destas escolas foram flagradas simulando a presença de alunos para cumprir o horário mínimo estabelecido pelo Detran.

Não é a toa que o Brasil detêm o triste troféu de estar entre os países com número recorde de vitimas em acidentes rodoviários. E as estatísticas confirmam que os defeitos mecânicos nos veículos participam em quantidade mínima nestes registros: ou é culpa do governo que não tomou conta da rodovia ou do motorista que errou ao volante.

Está rolando desde 2013 a novela dos simuladores, que já foram e deixaram de ser obrigatórios diversas vezes. O próximo capítulo é que, a partir de Janeiro de 2017, as auto-escolas deverão incluir no curso cinco aulas no simulador, consideradas essenciais para que o aluno tenha noção de como se safar de situações adversas ao volante.

Aula teórica nenhuma tem como explicar ao aluno seu comportamento no asfalto molhado, por exemplo. Colocá-lo ao volante de um automóvel real deslizando na estrada é impossível. Ao contrário do simulador que pode estabelecer na tela uma situação complexa de trânsito e treinar o “motorista” a se safar com segurança.

O simulador tem a vantagem de preparar com muito mais eficiência o cidadão candidato à motorista e, quem sabe, reduzir esta verdadeira carnificina rodoviária brasileira.

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