A volta dos que não foram

Oito automóveis que tiveram a produção interrompida e voltaram depois de alguns anos no limbo para as ruas e estradas

Por Bárbara Angelo27/05/16 às 17h17

Volkswagen Fusca

Automóvel que ressurgiu das cinzas
Fusca de 1960

Encomendado pessoalmente por Adolf Hitler em 1934, o Fusca é o automóvel com mais unidades vendidas e mais longo período de produção da história. Começou a ser importado para o Brasil em 1950 e logo se tornou popular, mas a Volkswagen decidiu interromper sua produção em 1986. A montadora, que surgiu com o próprio Fusca, já o considerava obsoleto e precisava do espaço fabril para seus novos modelos. O querido carrinho voltou a ser produzido em 1993, a pedido do então presidente Itamar Franco, e só foi morrer de vez em 1996. O Fusca ainda sobreviveu depois disso, mas no formato renovado das remodelagens New Beattle, de 1997, e a atual Beetle A5.

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Volkswagen Passat

Nascido em 1973 e lançado no Brasil em 1974, o Passat representou uma revolução para a Volkswagen. Até então centrada na produção do seu primogênito Fusca, a montadora dava uma guinada para o futuro lançando motores dianteiros refrigerados a água. No Brasil, o Passat não demorou para ganhar sua cota de fãs e ser considerado o carro do ano por canais especializados. Mas em 1988, a VW desistiu de produzi-lo no Brasil para investir em outros modelos, como a família BX do Gol. Mas o Passat continuou vivo em outras partes do mundo, e em 1994 retornou ao mercado brasileiro em versão importada da Alemanha, e continua conosco até hoje.

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40 anos de Passat

Volkswagen Voyage

Automóvel que ressurgiu das cinzas

Voyage 1981Com projeto e produção nacional, o Voyage nasceu em 1981 como um sedã derivado do também brasileiro Gol. O Voyage era mais potente e consumia menos combustível que seu irmão mais velho, conquistando o carinho de muitos e o título de melhor carro do ano por publicações especializadas. O brasileiro foi exportado para vários países ao longo dos 14 anos da primeira geração, inclusive os Estados Unidos, onde foi batizado de Fox. Em 1995, o sedã saiu de linha no Brasil para dar lugar ao Polo, deixando seus admiradores com saudades. Ainda demorou, mas depois de 12 anos de túmulo o Voyage renasceu para retomar sua saga e assim continua até hoje, já tendo sido exportado para 58 países.

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Voyage 2016

Fiat 500

O Fiat 500 só chegou ao Brasil em 2009, mas na Europa o carrinho começou sua história em 1957. Em uma Itália pós-guerra que precisava de carros práticos e econômicos, o 500 original foi a pedida da vez. O pequenino participou de uma revolução na indústria, ao introduzir características que se mostraram ideais para a cidade: ele tinha apenas 1,32m de largura e altura e um motorzinho de 2 cilindros aspirado a ar. Mas na década de 70 ele deixou de ser novidade e o mercado, já recuperado, tinha espaço para veículos mais avançados. O 500 desapareceu em 1975 para só retornar em 2007, 50 anos depois do original, no modelo retrô que conhecemos hoje.

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Fiat 500 1957
Automóvel que ressurgiu das cinzas
Fiat 500 2016

DeLorean

Automóvel que ressurgiu das cinzas

Embora vendido apenas nos Estados Unidos, o DMC-12 se tornou mundialmente famoso graças à sua aparição na trilogia De Volta para o Futuro. Nascido em 1981, ele foi o único modelo da DeLorean, de onde recebeu o nome popular, e saiu de linha em 1983 devido a uma crise no setor. Anos depois, as peças do estoque foram adquiridas pela DeLorean Motor Company do Texas, que vem prometendo a remontagem do célebre carango desde 2007. Com uma nova regulamentação para carros alternativos aprovada no ano passado, o sonho de consumo dos fãs da série está ainda mais próximo da realidade, e o website da empresa anuncia a possibilidade de sua concretização para o ano que vem.

Chevrolet Camaro

Objeto de idolatria por parte do público, o Chevrolet Camaro foi lançado em 1966 como um carro esportivo para competir com o Ford Mustang. A partir daí, a febre começou e o Camaro teve quatro gerações, cada uma com grandes mudanças no visual e vários upgrades no motor. Em 2002, o mercado já não se interessava por cupês esportivos e as vendas caíram, levando à sua descontinuação. Mas o Camaro renasceu depois de 7 anos, trazendo design totalmente renovado, ainda que fiel ao aspecto dos primeiros modelos. Retomando o furor que ele causou no primeiro tempo, esse intervalo pode ter sido uma boa ideia: ao menos no quesito da aparência, a quarta geração estava perdendo o rumo.

Automóvel que ressurgiu das cinzas
Camaro 1968
Automóvel que ressurgiu das cinzas
Camaro 2016

Datsun

A marca Datsun conquistou o posto de mais antiga desta lista, ultrapassando o Fusca ao ser criada em 1931. Controlada pela Nissan desde então, Datsun era o o escudo usado nos veículos exportados e herdava o passado dos DAT, primeiros carros japoneses. A marca foi utilizada até 1986, quando a Nissan decidiu extingui-la para assinar seus modelos com o próprio nome. Mas a decisão não foi duradoura, e em 2013 a Nissan voltou atrás, reintroduzindo a marca Datsun para distinguir modelos econômicos voltados para mercados emergentes.

Automóvel que ressurgiu das cinzas
Datsun 1933
Automóvel que ressurgiu das cinzas
Datsun 2016

9-3

Automóvel que ressurgiu das cinzas

O 9-3 travou uma luta de muitos anos com a morte, indo e voltando várias vezes. O modelo foi lançado em 1998 pela sueca Saab, que passou por diversos donos em sua própria batalha contra o fim. Terminando sob controle da National Electric Vehicle Sweden (NEVS), a Saab finalmente declarou falência em 2014, levando consigo a produção do 9-3. Em 2015, no entanto, a montadora começou a ser reerguida e vendeu os direitos de produção para a chinesa BAIC, fechando, assim, um acordo para a produção do 9-3 na Turquia, onde a versão elétrica foi escolhida como carro nacional.

Trabant

Automóvel que ressurgiu das cinzas
Trabant P50 1957 a 1962
Automóvel que ressurgiu das cinzas
Trabant nT 2009

O Trabant foi outro carrinho econômico do pós-guerra, tendo surgido em 1957 na Alemanha Oriental sob ocupação soviética. Com um motor que não passava de 100 km/h e um exaustor grosseiro, o supercompacto se tornou símbolo do setor soviético, que viria a ruir em 1989 com a queda do muro de Berlim. Acompanhando a história e de tecnologia ultrapassada, o Trabant não demorou para cair também, em 1991. Depois disso, foi só em 2009 que o Trabi, como foi carinhosamente apelidado, voltou a dar sinal de vida. Uma versão elétrica do soviético foi exibida no Frankfurt Autoshow, com produção cogitada para 2012.

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