Hora do bom gosto e da elegância: Citroën C4 Cactus

Novo modelo nacional da marca francesa, que concorrerá com SUVs compactos, é elegante, bem composto, seguro e tem bom preço

Por Roberto Nasser31/08/18 às 21h33

A Citroën apresentou no Brasil o novo C4 Cactus. Produto interessante, dito utilitário esportivo. Mescla conceitos visuais de Kia Soul, de Mercedes GLA, e sai-se muito bem. Para o público desejoso de sentir-se superior pela posição de dirigir, ou para os conscientes da necessidade de utilizar veículo melhor dimensionado às emoções do piso desnivelado, esburacado. Linhas se integram à proposta, mecânica foi ajustada para enfrentar as especificidades nacionais.

Na prática, transborda orgulho brasileiro, pois o produto foi desenvolvido aqui, como evolução da geração anterior, sob o comando do diretor de design para a América Latina, Daniel Nozaki. Executivos franceses, incluindo o chefe da área, viram, se surpreenderam, palpitaram com superioridade colonizadora, mas aprovaram: projeto nacional do C4 Cactus é hoje produzido na Espanha, abastecendo a Europa.

Cactus: elegante, bem composto, seguro, bom preço
Cactus: elegante, bem composto, seguro, bom preço

O Cactus é bem inspirado e responde ao usuário deste tipo de veículo em linhas, cuidados interiores, habitabilidade. A regra brasileira de enquadramento como utilitário esportivo exige altura mínima e ângulos de entrada e saída dos obstáculos, obtidas com o elevar da distância livre do solo, no caso 22,5 cm – mais ou menos a oferecida pela Velha Senhora, a Kombi. Agradável por fora, bem cuidado por dentro, ótimo espaço frontal e entre bancos, oferece uso confortável.

Divisão

Peugeot e especialmente Citroën perderam muitas vendas, têm bons produtos sem conquistar clientes, e desenvolveram o Cactus para ser tratado como evento, degrau, novo patamar de atração para a marca. Por isto não é apenas mais um produto, mas “o” produto, para obter muitas vendas, fazer lucros e bem participar no mercado; remunerar e garantir a sobrevivência da centena de revendedores. Para justificar o produto, há detalhes cuidadosos, itens de segurança e sistemas ativos, inusuais em carros neste segmento.

Conteúdo

Muito cuidado para sobressair nas comparações com outros veículos desta frequentada fatia de mercado. Nozaki conseguiu ótimo resultado, ao fugir do barroco automobilístico, a interpretação coreana sobre traços de Chris Bangle para a BMW, optando por linhas limpas. Detalhes, muitos, desde os três níveis de elementos ópticos no painel frontal, ao bagageiro de teto, elegante, bem formulado.

Houve trabalho primoroso no Cactus para acertar suspensão, direção e freios, que são a disco nas 4 rodas. Coisa de profissional sensível. Na transmissão do C4 Cactus, mudaram semi eixos e juntas, agora com maior contato, e encerraram as más sensações oferecidas por seu primo Peugeot 2008. Nele, quando se arranca com disposição, juntas e semi eixos fazem um ângulo de envergonhar engenheiro. Ele adotará o novo sistema.

Há muitos adereços eletrônicos pró-segurança, incluindo regulagens para a tração frontal, aviso de mudança de faixa, freio que opera sozinho quando o motorista não o aciona próximo ao veículo da frente. Itens encontráveis em carros de preço superior.

Cores

Seguindo tendência mundial, há opção bi-tonal – ou, no popular, saia-e-blusa. A fábrica se dimensionou para pintar o teto em branco, preto ou azul esmeralda, harmônicas com a do corpo do Cactus, que pode ser branco, em diferentes tons cinzas e no mesmo azul. São caretas, ou assim o são os consumidores brasileiros. A limitação não se harmoniza com o conceito de atrevimento oferecido pelo dito SUV. Se você está interessado e não é careta (vite, vite, como dizem os franceses). Aja rápido pois farão limitadíssima oferta de apenas 100 unidades pintadas em vermelho.

Confira a galeria de fotos do Citroën C4 Cactus:

Citroën surfa na onda com outros fabricantes de fazer pré-inscrição de vendas – já aberta –, com atrativos para vencer inércia e dúvidas, como graciosidade nas três primeiras revisões e, a donos de Citroën, valorização adicional de R$ 3.000 sobre o usado.

Mais

Há consciência de as marcas da PSA, Peugeot e Citroën descuidaram dos clientes. “Demos as costas”, reconhece Ana Thereza Borsari, líder regional. Para reaproximação, ambas tem oferecido, desde o ano passado, atrativos como verificação de líquidos durante a vida do veículo; revisões a preço fixo; descontos para carros fora de linha; oito anos de reboque para enguiços e acidentes; recompra garantida; seguro a preço menor; entrega de serviços para o mesmo dia; empréstimo de carro da marca para serviços tomando mais de 4 dias.

Na ponta do lápis, digo dos botões da calculadora, fazem presença, custam pouco, vendem simpatia. Fazem gentilezas para fidelizar os clientes.

Quanto custa o Cactus?

Preços do C4 Cactus são bem administrados para concorrer com os múltiplos assemelhados. De R$ 69 mil a 99 mil para as versões elevadas, com transmissão automática de seis velocidades – coisa efetiva, e não o sistema de polias variáveis. Motores de quatro cilindros em linha, flex, frontais e transversais, 1,6 litro. Um aspirado, 122 cv, outro turbo, 172 cv a álcool.

O Citroën C4 Cactus tem tudo – formas, conteúdo, acertos, preços – para ser queridinho do mercado.

Montadora ou fabricante? Quem é quem?

Há uns anos houve a generalização do uso do termo “montadora” para caracterizar a atividade de fazer veículos. Jornalistas, consumidores, até executivos das fábricas de automóveis, sem maior pensar, adotaram-no para rotular sua operação.

Leitor atento já percebeu, trata o negócio do fazer veículos sob dois rótulos: montadora é a empresa sem atividade de produção de componentes. Encomenda-os a terceiros, manda as especificações, recebe as peças e faz a montagem sob sua responsabilidade. É atividade superficial, como a já realizada no Brasil desde o início do século passado, com Ford, Chevrolet, Fiat, Chrysler, International, FNM, Willys, Nash, Nissan, Studebaker, VW, até o final dos anos 50, quando o projeto de implantação da indústria automobilística exigiu altíssimo percentual de partes nacionais.

Por processos e custos, as de maior valor agregado foram produzidas pela marca do veículo. Chassis ou monobloco, motores, transmissões, estamparia de chapas, às vezes até estofamento, em boa parte feitas em casa, complementada com auto peças fornecidas por empresas especializadas.

Como negócio, implantar tal estrutura demonstrava seriedade de propósitos. Diferença sensível:para montar, bastam galpões e linhas de agregação de partes fornecidas por terceiros. É o praticado no Uruguai, onde se especializaram na montagem – hoje nos fornecem Kia Bongo, Peugeot Expert e Citroën Jumpy.

Para fabricar, praticar o ofício da transformação, o uso da química e da física, como fabricar motor e transmissão, exigem-se investimentos muito maiores, e é este o denominador a separar quem veio para ficar, e os que podem ter vida fugaz.e é este o denominador a separar quem veio para ficar, e os que podem ter vida fugaz. E é este o denominador a separar quem veio para ficar, e os que podem ter vida fugaz.

Na prática e no entendimento: Montadora é quem junta partes fornecidas por terceiros e monta um veículo. Fabricante é degrau superior: produz componentes, e agrega-os para formá-lo.

Roda-a-Roda

Arkana – Curiosamente, a Renault escolheu o Salão de Moscou para exibir seu futuro produto, o Arkana. Coerente, nome indica alguma coisa enigmática: Oroch, de seu picape, é da turma. Rússia é mercado menor que Brasil.

Arkana, o novo SUV da Renault, foi apresentado nesta quarta-feira, 29. Crossover chega às ruas brasileiras em 2020. Projeto é voltado aos países emergentes.

CuSUV? – Renault aposta no futuro do caminho aberto pelos SUV da família 6 BMW, utilitário luxuoso com a extremidade posterior do teto garroteada para aproximar-se da cintura. Um “trubuçu” estilístico, SUV, cinco portas “acupezado”.

Mais – Será veículo global, iniciando no Brasil nova plataforma CMF-B – abandonando a velha e honesta BO, base de Logan, Duster, Oroch, Captur. Motorização possivelmente da família TCe, L4, 1,3 litro, turbo, injeção direta, uns 150 cv, iniciando novo ciclo. Para 2020.

Também – Para aumentar o poder de competição do City, Honda caracterizou o modelo 2019 com apelo à conectividade: sua central multimídia é compatível com Apple CarPlay e Android, e aplicada à versão EX.

Produto é oferecido em cinco versões, de R$ 62.500, por curioso DX e seu pouco demandado câmbio manual; Personal – projetado para crescente segmento de mercado, o de Pessoas com Deficiência (PcD), a R$ 68.700; e LX, EX e EXL, entre R$ 74,200 a 85.400. Tempos difíceis, equipamento eletrônico caracteriza modelo. Nissan cometeu o mesmo.

No olho – ACitroën apresentou o Cactus, Volkswagen, no outro dia, distribuiu texto e fotos do T-Cross, uma espécie de Tiguan menor. São concorrentes.

Como só o terá próximo ano, tenta colocar clientes em dúvida, entre receber um agora ou esperar pelo outro. Copiou até a cor do lançamento, o azul esmeralda.

Encontro – Brasil e Argentina assinaram acordo para Convergência Regulatória. Em tese, medida deve unificar equipamentos de segurança e data de obrigatoriedade de aplicação nos dois países.

Freio – Quando países do terceiro mundo, tão sensíveis a argumentos sensibilizantes de fabricantes de veículos, se valem de firulas para explicar coisa séria, é para tomar doses industriais de cautela. O ESP, equipamento de estabilidade, vem tendo uso adiado exatamente por conta de encontrar uma data comum. Dizem, 2020.

O outro lado – Toyota festeja ter participado, com Projeto Ambientação, da economia de 698M de litros d’água medidos em oito anos em cidades do interior paulista. Parceira da Fundação Espaço ECO, propõe soluções sustentáveis para reduzir consumo de água, energia, e gerir resíduos.

Resgate – Há 30 anos, cineasta Francis Coppola fez filme sobre o coerente, criativo, corajoso e romântico Preston Tucker, criador de carro revolucionário, abatido pelas então três grandes, Ford, GM e Chrysler. Aqui foi chamado “Tucker, um homem e seu sonho”.

Prática – O Pebble Beach Concours d’Élegance, em Carmel, na Califórnia, no fim de semana passado, que é melhor exemplo de qualidade de veículos expostos e competência para organizar, remasterizou o filme de Coppola em Blu-Ray+Digital +Digital 4K Ultra HD, e o apresentou como introdutório a palestras sobre a marca.

Foco – Rasa a visão dos organizadores de eventos de automóveis antigos no Brasil: contentam-se com a plasticidade dos veículos imóveis, e deixam de resgatar e contar histórias. Exceção honrosa para o Carro do Brasil, limitado aos automóveis nacionais e então organizado em Brasília.

O Mais – Famoso leilão em Monterey, durante a semana santa do automóvel, cravou novo recorde mundial para veículos antigos: um Ferrari 250 GTO com carroceria moldada pela Scaglietti. Disse a leiloeira RM Sotheby’s ser“o carro mais importante, desejado e lendário da história do automóvel’’.

Ferrari GTO, dos clássicos, o de maior valor

Leilão iniciou-se com preço base de US$ 35 milhões – avaliações anteriores discrepavam entre US$ 20 milhões e US$ 60 milhões. A diferença mostra o desvario. Foi a 44 milhões! Comissão do leiloeiro gerou cheque de US$ 48,4 milhões. Comprador não foi identificado. É a terceira da série de 36; uma das sete carroçadas por Sergio Scaglietti, o Toni Bianco deles, e considerada uma das mais originais.

Motor V12 3,0; 286 cv de potência, 342 Nm em torque, dianteiro, caixa manual de 5 velocidades, tração traseira. Pesa apenas 880 kg, e é uma alegria para dirigir ao chegar aos 100 km/h em 4,4s e 280 km/h – dados de 1962!

“Finor” Verbete criado por ex de diretor do Veteran Car de MG, organizador do mais elegante evento de veículos antigos no Brasil, bem descreve o majestático cenário do Grande Hotel, sua volumetria, jardins de Burle Marx. Ali reúne-se a essência da qualidade dos antigos no Brasil.

Neste ano, pela greve dos caminhoneiros, a grande praga do ano, a festa foi abortada na véspera do longo feriado de Corpus Christi, e adiado para o entorno do 7 de setembro. Será a partir da próxima quarta-feira, de 5 a 9, com patrocínio da Renault.

Um dos diferenciais do evento é realizar pioneiro e tradicional leilão. Inscrições para participar se encerraram pela capacidade máxima e catálogo digital com os veículos disponibilizados à venda foi divulgado. Há opção de lances online

Para saber mais sobre o evento, acesse o site oficial.

Gente

Bruce McLaren

McLaren, São Paulo, representante da marca criada por Bruce McLaren e produtora de esportivos nunca imaginados, festeja 79 anos do nascimento de seu fundador. McLaren morreu há 48 anos, em um acidente com um protótipo. Dele há um documentário: McLaren – O homem por trás do volante –DVD com legendas em português.

Laura Schwab

A inglesa Laura Schwab é a primeira mulher a presidir a Aston Martin em 105 anos de história.

João Batista Mattosinho Filho

O engenheiro brasileiro João Batista Mattosinho Filho, que era diretor de produção de 80 mil unidades/ano em planta Jaguar em Castle Bromwich, Inglaterra, foi resgatado aos trópicos. Ele será diretor de manufatura da Jaguar Land Rover em Itatiaia, RJ.

SOBRE

1 Comentário

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  • Ronaldo Pi Ma Si 31 de agosto de 2018

    Conjunto do painel todo ficou estranho. Eu prefero o desenho do painel Europeu, mais conteporâneo, clean. Este painel Brasileiro parece o painel do Fiat UNO 1.5R de 1989.

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