Dicas infalíveis para você jogar dinheiro no lixo!

Listamos 15 práticas ou serviços que prometem melhorar - e muito - o seu carro, mas não cumprem os seus objetivos e, às vezes, até o prejudicam

Por AutoPapo15/03/18 às 14h44

É comum que motoristas não conheçam muito de mecânica. Algumas concessionárias, oficinas e os oportunistas, por sua vez, estão prontos para convencê-los a gastar um dinheirinho a mais com tecnologias e dicas que pouco ou nada são efetivas. Para fazer mais um alerta, listamos 15 formas de jogar dinheiro no lixo pagando por dispositivos e serviços que apenas prometem melhorar o seu carro.

1. Economizadores de combustível

Aparelhos milagrosos não existem. E se estivessem disponíveis no mercado, as fabricantes seriam as primeiras a abraçar a tecnologia. Não invista nos economizadores ou promessas semelhantes. Além de não funcionar, esses dispositivos podem colocar os ocupantes dos veículos em perigo.,

É o caso do aparelho que recolhe os gases da gasolina do tanque e os leva até o coletor de admissão do motor. Ao aumentar o volume da gasolina, o economizador altera a proporção entre ar de combustível e, consequentemente, a regulagem do motor. O excesso da mistura pode até prejudicar o funcionamento dele. Além disso, o vapor é inflamável e, se escapa, pode acabar provocando uma explosão.

Muitos deles afirmam que alteram a regulagem do motor reduzindo 15% do consumo de combustível quando encaixados no sistema OBD (ou sistema de diagnóstico) dos carros. Não é o que os testes realizados comprovam.

2. Dispositivos para aumento de performance

Existem aparelhos que, quando acoplados ao acelerador eletrônico do automóvel (“drive-by-wire”), prometem melhorar seu desempenho. O que eles fazem, na verdade, não passa de uma ilusão. Isso porque o dispositivo altera a sensibilidade do pedal. O motorista pisa até a metade do acelerador, por exemplo, mas a mensagem enviada para o motor é de que ele apertou até 75% do curso. Mas pisando fundo, o condutor vai perceber que seu carro não está mais potente.

A troca do chip é outra enganação para “aumentar o desempenho”. O mecânico substitui o original de fábrica na central eletrônica por um outro que muda o mapeamento da injeção. O motor pode até ganhar na performance, mas o custo é o aumento desproporcional do índice de consumo e emissões.

Dica do Boris: O mapa de funcionamento da injeção é exaustivamente analisado e testado pela fábrica do automóvel, que instala um chip que oferece melhor a relação consumo/desempenho entre centenas de opções. Dá para alterar, mas o carro só não é apreendido pois ainda não existe inspeção veicular no Brasil para detectar o elevado índice de emissões

3. Vitrificação no carro zero

Os serviços de “proteção de pintura” são oferecidos nas concessionárias, estéticas automotivas e oficinas. O nome pode até variar: espelhamento, vitrificação, polimento, entre outros… O fato é que carro zero não precisa desse tipo de técnica. Depois de alguns anos, a proteção é até bem vinda, mas os automóveis já saem de fábrica com uma tinta com adição de uma camada de verniz.

Dica do Boris: a primeira operação destas empresas que oferecem o serviço é lixar a pintura original para aplicar seu produto. Passou a lixa, a proteção da fábrica já era

4. Troca de catalisador original antes dos 80 mil km

O catalisador funciona eliminando a nocividade dos gases que saem pelo escapamento do carro. Ele tem elementos químicos nobres e, por isso, apresenta custo elevado. Mas, atenção! O catalisador original, aquele que vem de fábrica, dura 80 mil quilômetros. Apenas os vendidos no mercado de reposição é que tem a duração reduzida para apenas 40 mil km.

5. Substituição de amortecedor aos 40 mil km

A duração de um amortecedor varia conforme o uso. O que o motorista deve fazer, então? Verificá-lo a cada 10 mil quilômetros. A vida útil de um amortecedor depende das estradas, do peso que ele suporta e os cuidados do motorista. No Brasil, as condições não são boas, ainda assim, os amortecedores podem chegar funcionando bem a mais de 100 mil quilômetros rodados.

Listamos 15 maneiras de jogar dinheiro no lixo quando o assunto é melhorar o seu carro. Empurroterapia, dicas do arco da velha e tecnologias que prometem muito e entregam pouco.
Duração de um Amortecedor varia conforme o uso

6. Aditivos

Assunto recorrente no AutoPapo, a lógica dos aditivos é muito simples. Só dois deles são necessários: líquido de refrigeração (“água do radiador”), que deve ter etilenoglicol (50%) e o aditivo para combustível, quando o motorista só abastece com gasolina comum. Os demais líquidos do carro já são aditivados pelas fabricantes.

Dica do Boris: um dos aditivos milagrosos presente no mercado é o Booster, mas adiantamos: ele só funciona se você utilizar gasolina norte-americana, que não tem tanto etanol na composição. Ou seja, comprá-lo é jogar dinheiro no lixo!

7. Balanceamento em conjunto com alinhamento

Não é preciso balancear o seu carro todas as vezes em que o alinha. Escute o áudio do Boris para entender melhor a razão dessa afirmação:

8. Revisão VIP

Muitas vezes as fabricantes apresentam, ao consumidor, mais de um tipo de revisão. Os itens que realmente precisam ser trocados ou revisados são os que estão descritos na revisão básica (e no manual do seu automóvel), os demais serviços são “empurroterapia”. Você paga mais, mas não recebe nenhum benefício real.

Veja alguns dos serviços desnecessários apresentados pelas concessionárias: limpeza de bicos, do corpo da borboleta da injeção, do tanque de combustível, da sonda lambda, do interior e exterior do carro, lubrificação de portas e maçanetas, entre outros.

9. Limpeza de bicos injetores ou limpeza do sistema de injeção

Já que citamos a limpeza dos bicos… Esse serviço só deve ser realizado no caso de mau funcionamento do motor. Ainda assim, é preciso estudar se o problema está mesmo no sistema de injeção: quem sabe não são as velas ou as bobinas?.

10. Limpeza do TBI

O “corpo de injeção”, “corpo da borboleta” ou TBI, do inglês Throttle Body Injection, é o correspondente, no sistema de injeção eletrônica, ao corpo do carburador. O componente não tem durabilidade pré-estabelecida, já que pode durar vários anos ou acumular depósitos carboníferos e prejudicar o funcionamento do motor. No entanto, não é preciso contratar a limpeza preventiva do TBI. Só procure o serviço se o motor do seu carro não estiver funcionando bem, “engasgando”. De resto, fazer a limpeza é jogar dinheiro no lixo.

Listamos 15 maneiras de jogar dinheiro no lixo quando o assunto é melhorar o seu carro. Empurroterapia, dicas do arco da velha e tecnologias que prometem muito e entregam pouco.

11. Descarbonização do motor

A descarbonização do motor só deve ser realizada se o motor estiver, comprovadamente, com depósito excessivo de carbono. Se você abastece o carro com etanol, por exemplo, a possibilidade do motor estar carbonizado é quase inexistente, pois o teor de carbono do etanol é muito menor que o da gasolina. Realizando as manutenções e trocas de óleo no momento correto, dificilmente o motorista tem problemas com a carbonização.

12. Calibragem desregulada: para mais ou para menos

Deixar de calibrar os pneus é um erro comum. O que você precisa saber é que, fazendo isso, além de afetar a dirigibilidade do carro, você perde dinheiro. O pneu descalibrado (“murcho”) fica com uma superfície maior em contato com o solo e demanda mais energia do motor para se mover: isso resulta em um consumo maior de combustível (até 10%, de acordo com estudos realizados pelo Centro de Experimentação e Segurança Viária – Cesvi). Além disso, a própria durabilidade do pneu se reduz e também a estabilidade.

Colocar ar demais nos pneus também não é uma boa ideia. Com a área de atrito menor do que a projetada, a parte central do pneu ficará mais desgastada, sua durabilidade reduzida, o carro mais “duro” e desconfortável, além de acelerar o desgaste de componentes da suspensão.

Listamos 15 maneiras de jogar dinheiro no lixo quando o assunto é melhorar o seu carro. Empurroterapia, dicas do arco da velha e tecnologias que prometem muito e entregam pouco.

13. Calibragem com nitrogênio

A não ser que você tenha um carro de Fórmula 1, não vale a pena calibrar com nitrogênio. Ele só é importante em competições, pois impede a variação da pressão do pneu quando ele se aquece na pista. Os carros de passeios não expõem os pneus a condições tão extremas quanto os de competição e não são tão sensíveis às variações de pressão.

Dica: Não é possível calibrar o pneu misturando ar e nitrogênio. Para fazer a troca, é necessário esvaziar o pneu por completo.

14. Troca da bateria sem certeza de que o problema não é no sistema elétrico

No caso de se acender uma luz de alerta no painel com o desenho de uma bateria, nem sempre o problema é dela. Em geral, trata-se de algum defeito no alternador ou outro componente do sistema elétrico. Substituir a bateria é jogar dinheiro no lixo pois o problema volta em alguns dias.

Dica do Boris: se o problema fosse da bateria descarregada, não haveria corrente elétrica para acender a luzinha no painel

15. Esquentar o motor

Os carros modernos detectam, por meio da central eletrônica, a temperatura ambiente e o motor se prepara para funcionar em períodos frios ou quentes. Não há mais a necessidade de deixar o motor funcionando alguns minutos antes de sair de casa ou acelerar o veículos alguma vezes em marcha lenta. Deixar o carro esquentar, agora, é uma forma de jogar dinheiro no lixo! A única recomendação é não pisar fundo e exigir muito do motor antes que a temperatura se aproxime da ideal de funcionamento.

5 Comentários

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  • Rodolfo 31 de março de 2018

    Corrigindo a parte dos links do texto que eu escrevi abaixo:
    1. TV Record

    https://www.youtube.com/watch?v=aGWJkDCYKvA

    2. TV Record

    https://www.youtube.com/watch?v=Pla_BHGFYjY

    3. SBT TV

    https://www.youtube.com/watch?v=JFSP1CkG8-w&feature=youtu.be

  • Rodolfo 31 de março de 2018

    Caro Boris,

    No posto que abasteço desde que moro neste imóvel (2012) colocaram o seguinte cartaz:
    “Aqui não vendemos gasolina formulada”.

    A mídia já fala dela a um dois anos, porém em março deste ano a Rede Globo no programa Auto Esporte colocou a questão novamente em pauta, e é um assunto muito preocupante, pois é dinheiro no ralo, se leva gato por lebre e ainda existe a incerteza se os seu solventes na composição irão prejudicar o óleo e por tabela o motor.

    Leiam a matéria abaixo da BAND e os 3 vídeos das reportagens da TV Record e SBT que versam sobre a nova gasolina “gasolina formulada” :

    ANP libera venda de gasolina “formulada” – BAND:

    http://noticias.band.uol.com.br/noticias/100000898187/anp-libera-venda-de-gasolina-formulada.html

    TV Record

    https://www.youtube.com/watch?v=aGWJkDCYKvA

    [b]TV Record[/b]

    [BBvideo 560,340]https://www.youtube.com/watch?v=Pla_BHGFYjY[/BBvideo]

    SBT TV

    https://www.youtube.com/watch?v=JFSP1CkG8-w&feature=youtu.be

    Pra enriquecer o debate, vejam que muito interessante a descrição do que é a adulteração da gasolina na [b][i][color=#FF0000]página 9[/color][/i][/b] da Tese de Mestrado… mas isso era até 2016… pois fazem 2 anos que a ANP autorizou a fabricação dessa gasolina “formulada”.

    Nesta tese de mestrado é descrito que umas das formas de batismo da gasolina é através da adição de solventes, assim essa gasolina “formulada” é composta por mais de 200 tipos de solventes (conforme informado nas reportagens acima).

    E somente se dá para saber se a gasolina é refinada ou batizada por solventes através de análise de laboratório (curva de destilação, massa específica e outros testes). Pois o famoso teste da proveta não consegue detectar se é gasolina refinada ou gasolina batizada ou gasolina “formulada”, pois os solventes presentes na gasolina batizada ou na “formulada” se diluem na gasolina refinada, então no teste da proveta é impossível separar os solventes da gasolina, somente se separa o etanol da gasolina.

    Assim leiam o resumo da tese de mestrado abaixo (página x) que vocês vão ficar estarrecidos:

    Tese de Mestrado: Adulteração de Gasolina por Adição de Solventes: Análise por parâmetros físico-químicos
    Autora: Elaine Vosniak Takeshita
    Março/2006[/i]

    Disponível em:

    https://repositorio.ufsc.br/bitstream/handle/123456789/89520/226279.pdf?seq

    Veja a figura abaixo como é a destilação do petróleo:

    https://www.coladaweb.com/wp-content/uploads/2014/12/20160530-petroleo2.jpg

    Conclusão

    Ainda existe a gasolina refinada, mas também existe a gasolina “formulada” e a gasolina batizada. Então como saber separar o joio do trigo?

    Preço barato é sinal de batismo na certa ou gasolina “formulada”, e ainda consumo de combustível acima da média é outro forte indício de batismo ou gasolina “formulada”. Assim procurem escolher a gasolina pela qualidade e não pelo preço, porque é como dizem… “o barato pode sair muito caro!”

    E quando achar um posto que a gasolina seja de qualidade sempre abasteçam neste mesmo posto, e quando forem a uma cidade que não conheçam pergunte para as pessoas (funcionários de hotéis, pousadas, restaurantes e etc) qual é o melhor ou melhores postos de gasolina da cidade.

    Eu não disse que gasolina batizada com solvente prejudica o óleo em outro tópico sobre óleo lubrificante? Fato confirmado! E essa gasolina “formulada” que tem mais de 200 tipos de solventes, será que faz mal? A nossa ANP testou o efeito dessa gasolina “formulada” nos nossos óleos dos nossos carros??? Veja o vídeo abaixo sobre isso:

    https://www.youtube.com/watch?v=AEYB6gcm7KM

    Então Boris seria muito bom se você abordasse esse assunto que é de suma importância para o povo brasileiro.

    Grato

    Rodolfo

  • Sérgio 22 de março de 2018

    As dicas do Boris me aparecem quando mais preciso. Obrigado.

  • Eduardo 17 de março de 2018

    muito bom

  • Jose O da Silva 15 de março de 2018

    Dicas muito boas. Vamos observar.

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