Por dentro do gigante

Por Daniel Camargos 26/04/17 às 15h51

Na China tudo é superlativo. Foram 26 milhões de veículos, entre automóveis e comerciais leves, vendidos no ano passado – o que faz do gigante asiático o maior consumidor de autos do planeta. Vale destacar que o mercado chinês cresceu apenas um dígito em 2016, porém no primeiro semestre deste ano os padrões voltaram a escala de dois dígitos: 12%. Xangai, a megalópole chinesa que abriga o 17º Salão do Automóvel, é cortada por centenas de viadutos, túneis, pontes e uma malha urbana que não deixa dúvida do protagonismo dos veículos.

No interior dos oito pavilhões do Centro Nacional de Exibições e Convenções, as marcas multinacionais dividem espaço com dezenas de fabricantes chinesas. Algumas, inclusive, sequer tem um nome ocidental e exibem todas as informações nos logogramas em mandarim. Apesar de estarem focados primordialmente no imenso e emergente mercado interno, nem todas deixam o “resto do mundo” de lado.

Uma das maiores marcas é a estatal chinesa Saic, sigla para Shangai Automotive Industry Corporation, estatal que produz carros da Volkswagen, General Motors e Buick, entre outras marcas, por conta de joint venture firmada com esses fabricantes.

No guarda-chuva da Saic também está a Roewe, criada em 2006, que se baseia na tecnologia da finada inglesa MG Rover. Impossibilitada de usar o nome Rover, a chinesa acabou reinventando a marca. Entre os destaques está o sedã híbrido ei6.

O foco do salão são os sistemas alternativos, como os híbridos e veículos autônomos. De acordo com o vice-presidente da Associação dos Fabricantes Chineses (CAAM), Dong Yang, a tecnologia de direção autônoma será uma realidade nas ruas chinesas em 2030.

Figurinhas carimbadas

Entre os modelos que interessam ao mercado brasileiro está o novo EcoSport, que já havia sido revelado no Salão de Los Angeles e chega em junho ao Brasil. Quem vê o veículo apenas de frente imagina que é realmente um novo modelo. Porém, está lá o defectível estepe na traseira, mantido para o mercado chinês. Vale destacar que o problemático câmbio automático PowerShift foi substituído por um câmbio automático convencional.

O Nissan Kicks, lançado ano passado no Brasil, também foi mostrado com pompa aos chineses. A marca japonesa começará a produzir o SUV na China até o final do ano. Será vendido com motor 1.5 de 124 cv de potência e com opções de câmbio manual de cinco marchas ou automático do tipo CVT.

Os utilitários esportivos, aliás, são uma tendência na mostra chinesa. Assim como aconteceu no último Salão do Automóvel de São Paulo, quase todas as marcas exibem um SUV para chamar de seu. Vão dos compactos aos grandes. Um detalhe, contudo, chama a atenção de quem visita os pavilhões: a cor branca. Exibir os SUVs brancos nos estandes é uma tendência entre todas as marcas orientais.

Negócio da China

Além das marcas conhecidas no Brasil, como Chery, Lifan, BYD e Jac, o mercado chinês de automóveis é multifacetado. Estão presentes no salão Sauvana, Haima, Yema, Maxus, Dongfeng e outras dezenas que não chegam a ter um nome ocidental.

O último Salão do Automóvel de Xangai, em 2015, foi visitado por quase 1 milhão de pessoas (928 mil para ser preciso), o que o tornou o mais visto entre todos os grandes eventos do setor automobilístico do mundo. Neste ano, a expectativa é que a marca seja batida ao encerramento da mostra, que termina na quinta (28).

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