Conversa para boi dormir…

Fato ou fake? Ninguém sabe de onde surgem tantas dicas e prognósticos do tipo fake, que muitas vezes confundem de fato o motorista

Por Boris Feldman25/11/18 às 10h55

Destilados substituem etanol? Negativo. Correu durante greve dos caminhoneiros  o boato de que é possível fazer a troca de combustível da bomba por whisky, cachaça, vodka ou qualquer outra bebida destilada no motor flex (“tudo é álcool”, diziam). Mas, não dá para usar nem mesmo álcool de supermercado, pois o teor alcoólico (GL) de todos não passa de 40 ou 45%. Para o flex funcionar, o percentual mínimo é de 90%. Único substituto do etanol hidratado é o álcool puro, de farmácia (98 GL).

Etanol: recomendar a troca de combustível da bomba por bebidas destiladas ou álcool de supermercado é conversa para boi dormir


Flex não reconhece troca de combustível – Besteira: mesmo usando durante anos apenas um deles (etanol, por exemplo), a central eletrônica percebe a mudança para gasolina e ajusta o motor. Vale para a situação inversa. Se o motor falhar depois de uma troca de combustível é por um problema na sonda lambda, encarregada de reconhecer qual deles (ou mistura deles) está vindo do tanque.

Fim do motor a combustão? Sim, mas não é para já e não sai de cena tão cedo. Híbridos, por exemplo, os utilizam. Até alguns elétricos oferecem um pequeno motor a combustão para recarregar as baterias. Além disso, engenheiros das fábricas ainda investem milhões de dólares para desenvolver novas tecnologias e aumentar sua eficiência. Alguns já rodam 25 km por litro de gasolina.

Aditivo é besteira? – Depende. Importante na gasolina e no radiador. Desnecessário no óleo e no etanol. Na verdade, o óleo do motor já recebe, ao ser produzido, os aditivos recomendados pelo fabricante do automóvel.

Elétrico vem aí? Sim, mas vai demorar, principalmente no Brasil. Pelo preço (custa aqui o dobro do similar com motor a combustão) e falta de infraestrutura para longas viagens, pois não existem postos com tomadas para recarga das baterias.

Autônomo vem aí? Sim, mas vai demorar ainda muito mais que o elétrico, pois exige legislação específica, infraestrutura rodoviária e uma avançada tecnologia da informação.

Freio elétrico não é emergencial? Balela. Na falha dos freios principais, comando acionado com carro em movimento não freia imediatamente. Mas, mantido acionado, sistema percebe tratar-se de uma emergência e atua nos freios, na maioria dos carros.

Peça no paralelo é perigosa – Depende. Se o componente de reposição na loja de peças é produzido pelo mesmo fornecedor da fábrica do automóvel, não há problema de qualidade. O mesmo se aplica para peças produzidas por marcas tradicionais como Mopar, Bosch, Marelli, Valeo, ZF e outras. Problema no Brasil é que, por puro descaso do governo e ao contrário de outros países, as peças de reposição não são obrigatoriamente submetidas à certificação.

Garantia mesmo com acessório não homologado? Não acredite nesta conversa fiada da concessionária: se ela instala um equipamento não certificado pela fábrica, fim da garantia. O vendedor pode argumentar que ela se responsabiliza, mas se o automóvel for levado numa outra concessionária, já era! Casos assim só foram resolvidos judicialmente (a favor do dono do carro).

Aquecimento do banco prejudica o homem? Inventa outra: médicos especialistas consultados chegam a rir deste alerta. Dizem que a produção de esperma não sofre rigorosamente interferência nenhuma com o aquecimento do banco.

Posto “bandeira branca” deve ser evitado? Qualidade do combustível não depende da marca representada pelo posto, mas da honestidade de seu proprietário. Postos de marcas famosas já foram flagrados com gasolina adulterada.

Gasolina formulada não presta – Outro equívoco: a gasolina refinada não é necessariamente melhor nem a formulada é necessariamente pior. Aliás, a segunda pode ter qualidade superior… Desde que não haja adulteração, não existe problema em fazer essa troca de combustível (do refinado para o formulado e vice-versa).

Amortecedor só dura 40 mil km? Mentira inventada por fabricantes para engordar seu faturamento (no Brasil, quem inventou esta enganação foi a Cofap com seus comerciais do cachorrinho bassê). Amortecedor pode não durar nem 10 mil km ou passar de 100 mil km: depende do peso carregado, das condições da estrada, dos cuidados ao volante, etc.

Foto Alexandre Carneiro | AutoPapo

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2 Comentários

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  • Valter Rodolfo 25 de novembro de 2018

    Veículos que rodam quase exclusivamente em rodovias durante milhares de quilômetros podem ter os seus amortecedores, pneus e embreagem e vários componentes mecânicos, com durabilidade mais longa que os carros em condições urbanas , segundo minhas observações ao longo dos 50 anos de volante. – ( O que pode ser contestado, é claro! ).

  • Celio* 25 de novembro de 2018

    “Amortecedor só dura 40 mil km?”
    Meu carro está bem pertinho dos 100 mil e ainda tem com os amortecedores originais.

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