É marcha demais!

Por BORIS FELDMAN22/02/18 às 09h25

Ninguém nem se lembra (ou teve notícia) de que os carros antigos, principalmente os norte-americanos, tinham grandes e poderosos motores, com câmbios de apenas três marchas à frente. Mas, em nome da eficiência, os motores foram sendo reduzidos e as caixas ganhando cada vez mais marchas: quatro, cinco, seis… E já tem carro hoje com 10 marchas.

Já existe até uma piada a respeito: nos Estados Unidos, os motores tinham oito cilindros (V8) e a caixa três marchas. Hoje, os motores são de três cilindros e os câmbios de oito…

Há quem pergunte para que tanta marcha se “eu não corro com o meu automóvel”. Está aí um grande engano. Número maior de marchas não é para aumentar a velocidade final do carro. A ideia é de oferecer ao motorista uma marcha mais adequada em cada situação.

(Fabiano Azevedo/AutoPapo)

Exemplo: o carro está subindo uma ladeira de terceir, mas o motor vai perdendo rotação, o que obriga o motorista a reduzir, cambiar para uma marcha mais forte. Ele joga então a segunda para vencer a ladeira. Entretanto, muitas vezes a segunda marcha se revela “forte” demais e o motor sobe muito de giro. O motorista volta para a terceira, mas ela não dá conta do recado…

Esta é uma situação em que o carro pede uma marcha intermediária, mais forte que a segunda, mais fraca que a terceira. Até por uma questão de consumo: quanto mais adequada a relação da marcha, o motor vai trabalhar numa faixa de rotação de maior eficiência, reduzindo o consumo de combustível e as emissões.

Então, seguindo este raciocínio e lembrando-se de que os motores estão tendo sua cilindrada reduzida, quanto mais marchas, tanto melhor em duas situações: como no exemplo acima e também na rodovia, para se manter velocidades elevadas em trechos planos com o motor em baixas rotações. Neste caso, a marcha mais “longa” não é para se atingir 200 km/h, mas para rodar a 100 km/h ou 110 km/h com mínimo consumo.

Boris Feldman

Jornalista e engenheiro com 50 anos de rodagem na imprensa automotiva. Comandou equipes de jornais, televisão e apresenta o programa AutoPapo em emissoras de rádio em todo o país.

Boris Feldman

3 Comentários

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  • Valdomiro jose ferreira 20 de abril de 2018

    No meu ver o carro desenvolver mais velocidade na última marcha ou eu estou errado

  • Rogério 29 de março de 2018

    Boa observação do Adriano. E quanto mais inovação os veículos tiverem para reduzir emissão de gases o planeta dos pulmões dos seres vivos agradecem

  • Adriano 28 de março de 2018

    Olá, acredito que houve um pequeno erro ao escrever a parte de marcha intermediária, como citado em alguns casos a terceira marcha é fraca, porém a segunda é muito forte, por isso se faz necessário uma marcha intermediária. Uma marcha que seja mais forte do que a terceira, e mais fraca do que a segunda, ao contrário do texto que diz que a marcha intermediária deve ser mais forte que a segunda e mais fraca do que a terceira.

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