Governo brasileiro não dá importância para o recall

Motoristas também não têm atendido os chamamentos das fabricantes; em média, apenas 50% dos carros envolvidos passam pelos reparos necessários

Por BORIS FELDMAN30/05/18 às 10h30

O Recall está ficando mais e mais frequente. O termo se refere a quando a fábrica chama uma série de automóveis de volta à concessionária para o reparo gratuito de algum item que envolve segurança. Muitos motoristas não sabem disso e vivem reclamando, por exemplo, porque a fábrica não fez o recall do meu carro pois o revestimento do volante está se deteriorando precocemente. A resposta é simples: neste caso, onde não está envolvida a segurança, se faz uma “campanha de serviço” e a concessionária espera o carro ser levado para a revisão periódica e então faz o reparo.

O problema do recall é que, apesar de ser um item de segurança e de o reparo ser gratuito, muitos carros não são levados à concessionária com esta finalidade. Principalmente se já estiver fora do período de garantia, quando o dono não é mais obrigado a leva-lo à rede autorizada.

No Brasil, o índice de comparecimento do recall é baixo: segundo as fábricas, não chega a 50%. Isto significa que existem centenas de milhares de automóveis rodando pelo país sujeitos a ficar sem freio, ou incendiar, ou o airbag não funcionar no momento de um acidente e assim por diante.

Ainda que o índice de comparecimento às concessionárias para fazer o recall seja baixo, governo não se organiza para fazer constar no prontuário do automóvel que ele não foi levado ao reparo.
Foto iStock | Reprodução

Nos EUA, onde é maior a preocupação com a segurança veicular, o índice de comparecimento é maior e chega a 75% dos carros envolvidos. Mesmo assim, governo e fabricas se reúnem para decidir o que mais poderia ser feito para aumentar este índice.

Recentemente, ficou decidido que as fábricas poderão fazer também uso das redes sociais para convocar ao recall. Ou seja, além de se utilizar obrigatoriamente (como no Brasil) da mídia, poderão anunciá-lo pelo twitter, instagram, etc.

No Brasil, o governo não tem a menor preocupação com o assunto, sabe do baixo índice de comparecimento às concessionárias mas não conseguiu se organizar sequer para fazer constar no prontuário do automóvel que ele não foi levado ao recall. Um mínimo que poderia ser feito no sentido de pelo menos alertar a quem o está comprando como usado…

Boris Feldman

Jornalista e engenheiro com 50 anos de rodagem na imprensa automotiva. Comandou equipes de jornais, televisão e apresenta o programa AutoPapo em emissoras de rádio em todo o país.

Boris Feldman

1 Comentário

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  • Paulo 18 de junho de 2018

    Na boa… Convenhamos que o (des)governo nunca ligou pro povo mesmo.
    As palavras corretas seriam: “O povo? Ahhh… O povo que se fuêda!”

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