Após 15 anos de proibição, Nascar fecha acordo com patrocinadora gigante do tabaco

Após romper com o setor em 2010, a categoria anunciou um novo patrocínio oficial com marca de nicotina — que não trata-se de cigarros, entretanto

Kaulin Racing equipe de Ty Dillion patrocinado pela Grizzly Nicotine Pouches
O tabaco nunca saiu das pistas de fato: apenas se camuflou para adequar as novas regras (Foto: Icon Sportswire)
Por Júlia Haddad
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 02/02/2026 às 09h00

A NASCAR oficializou o retorno da indústria do tabaco ao seu portfólio de patrocinadores principais, encerrando um hiato institucional que durava desde 2010. A categoria anunciou a Grizzly Nicotine Pouches como sua “Parceira Oficial”, concedendo à marca os direitos de naming rights de todos os acampamentos pertencentes aos autódromos do calendário.

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A medida marca uma mudança significativa na política da organização. Durante décadas, a categoria foi sinônimo de tabaco através da “Winston Cup Series”, mas rompeu laços seguindo uma tendência global de saúde pública e restrições de publicidade, similar ao movimento feito pela FIA na Fórmula 1 nos anos 2000.

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O retorno, contudo, vem com uma nova roupagem. Em vez de cigarros combustíveis ou tabaco de mascar tradicional, o foco agora são os sachês de nicotina e produtos “sem fumaça”. A parceria com a Grizzly — uma marca da gigante Reynolds American — consolida uma aproximação que já ocorria nas pistas: a empresa patrocinou recentemente o Chevrolet Camaro nº 10 da Kaulig Racing e o piloto AJ Allmendinger.

Estratégia das gigantes do setor

A Grizzly não está sozinha nessa investida. A Zone, pertencente à ITG Brands, mantém forte presença na categoria patrocinando o bicampeão Kyle Busch, com contrato renovado até 2026. Além da exposição na lataria, a marca realiza ativações de marketing agressivas nos autódromos voltadas para maiores de 21 anos.

Especialistas apontam que não trata-se de nostalgia, mas de sobrevivência de mercado: as grandes tabagistas, como a Reynolds e a ITG, utilizam o automobilismo para legitimar novos produtos diante de um público que envelheceu acompanhando a antiga Winston Cup, ao mesmo tempo que tentam capturar uma audiência mais jovem.

A tática espelha o que ocorre na Fórmula 1, onde corporações como a Philip Morris (através da iniciativa “Mission Winnow”) mantêm sua influência no paddock, contornando legislações restritivas com logotipos subliminares e discursos focados em tecnologia e inovação, mantendo o capital do tabaco girando os motores do esporte a motor.

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