Boeing ignorou defeito que causou acidente fatal com jato nos EUA, diz agência

Relatório aponta que fabricante identificou defeito em 2011, mas descartou risco à segurança e não exigiu troca do componente

Aviao Carga Md 11 UPS
Desde o acidente em novembro, operação do MD-11 foi suspensa (Foto: Reprodução | YSSYguy)
Por Júlia Haddad
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 21/01/2026 às 08h00

Um relatório preliminar da Agência Nacional de Segurança nos Transportes dos EUA (NTSB), divulgado nesta semana, revela que a Boeing tinha conhecimento de um defeito estrutural crítico no modelo MD-11 há quase 15 anos. O documento investiga as causas da queda do voo 2976 da UPS em novembro, em Louisville (EUA), provocada pela separação de um dos motores da asa durante a decolagem.

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Segundo a agência, a Boeing — que assumiu o suporte do modelo após comprar a McDonnell Douglas — emitiu um boletim de serviço em fevereiro de 2011 alertando operadores sobre falhas no “rolamento esférico” — peça responsável pela fixação do motor ao pilone da asa. À época, o problema já havia sido registrado em quatro ocasiões.

Contudo, a fabricante concluiu que a ruptura do componente “não resultaria em uma condição de risco à segurança de voo”. Com base nessa avaliação, a Boeing não tornou obrigatória a substituição da peça por uma versão mais segura, já disponível no mercado.

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Aeronave acidentada estava na UPS desde 2006. Antes, tinha servido como avião de passageiros na Tailândia (Foto: Reprodução)

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A recomendação limitou-se à inclusão do item em inspeções visuais de rotina, realizadas em intervalos longos, de aproximadamente cinco anos (60 meses). O relatório do NTSB aponta que essa inspeção visual pode ter sido insuficiente para detectar a fadiga do material que levou ao colapso da estrutura no acidente de novembro.

O desastre resultou na morte dos três tripulantes e de doze pessoas em solo. A gravidade das revelações levou a Boeing a recomendar, tardiamente, a suspensão das operações do modelo. A medida foi seguida pela UPS e ratificada pela Administração Federal de Aviação (FAA), que proibiu voos do cargueiro até que inspeções rigorosas sejam concluídas.

O MD-11 acidentado tinha 34 anos de uso. Antes da tragédia, a UPS planejava operar sua frota até 2032. O episódio intensificou o escrutínio sobre a Boeing, que enfrenta crises de credibilidade recorrentes. Além disso, também reacende o debate global sobre os riscos de estender a vida útil de aeronaves antigas em um cenário de escassez de novos cargueiros.

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