BYD reclama de benefício fiscal dado pelo governo federal: “não nos deram competitividade”

Medida que beneficiava marcas como BYD e GWM encerrou-se em janeiro; Anfavea alerta para risco a empregos, enquanto novatas criticam "corporativismo"

Fábrica da BYD em Camaçari (BA) FOTO Divulgação 3
Guerra entre montadoras vem pressionando o fim dos regimes CKD e SKD na fábrica da BYD (Foto: BYD | Divulgação)
Por AutoPapo
Publicado em 06/02/2026 às 15h00

O encerramento da isenção do Imposto de Importação para veículos elétricos e híbridos trazidos ao Brasil nos regimes SKD e CKD (desmontados ou semidesmontados), ocorrido em 31 de janeiro, abriu uma nova frente de batalha na indústria automobilística nacional. De um lado, montadoras tradicionais defendem a proteção da cadeia produtiva local; de outro, fabricantes recém-chegadas, como a chinesa BYD, criticam o que chamam de barreiras ao investimento fora do eixo Sudeste.

AutoPapo
NÃO FIQUE DE FORA do que acontece de mais importante no mundo sobre rodas!
Seguir AutoPapo no Google

A decisão, deliberada pelo Gecex-Camex (Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior), estabelece um cronograma de elevação gradual das alíquotas. Para o regime SKD, os impostos agora variam entre 25% e 30%, devendo atingir 35% em julho de 2026. Já para o CKD, a taxa saltará dos atuais 14% para 35% no início de 2027.

VEJA TAMBÉM:

Impacto nos planos da BYD

Apesar de ter gozado do benefício fiscal, o vice-presidente sênior da BYD, Alexandre Baldy, classificou a pressão pelo fim do benefício como um “corporativismo da indústria do Sudeste”. Segundo Baldy, coletiva na fábrica baiana, as vantagens dadas pelo governo sequer serviram para algum proveito. “Na verdade não é que existiu uma isenção para SKD ou CKD que nos atendeu a ponto de nos dar maior competitividade”, afirmou.

A Anfavea (associação das montadoras), por sua vez, sustenta que a manutenção de incentivos para a simples montagem de kits importados, sem contrapartidas de nacionalização de componentes, ameaça a sobrevivência do setor. Estudo da entidade aponta que a substituição da produção completa por kits poderia eliminar 69 mil empregos diretos e causar uma perda econômica de R$ 103 bilhões para fabricantes de autopeças.

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços informou que, até o momento, não há novos pleitos do setor para prorrogar o benefício. O governo federal mantém a estratégia de incentivar a fabricação integral no país, enquanto as montadoras chinesas aceleram a homologação de fornecedores locais para mitigar o impacto tributário.

Newsletter
Receba diariamente notícias, dicas e conteúdos exclusivos que foram destaque no AutoPapo.

👍  Curtiu? Apoie nosso trabalho seguindo nossas redes sociais e tenha acesso a conteúdos exclusivos. Não esqueça de comentar e compartilhar.

TikTok TikTok YouTube YouTube Facebook Facebook X X Instagram Instagram
Siga no

Ah, e se você é fã dos áudios do Boris, acompanhe o AutoPapo no YouTube Podcasts:

Podcast - Ouviu na Rádio Podcast - Ouviu na Rádio AutoPapo Podcast AutoPapo Podcast
10 Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Comentários com palavrões e ofensas não serão publicados. Se identificar algo que viole os termos de uso, denuncie.
Avatar
Polvo 8 de fevereiro de 2026

A indústria brasileira como um todo deveria ter uma carga tributária menor. Está perdendo em competitividade até para o Paraguai. A nossa sorte é que ainda temos mão de obra de melhor qualificação

Avatar
Infante 8 de fevereiro de 2026

Xinas piratas. Praticam insalubridade e trabalho escravo lá e aqui, não produzem nada no país, trazem tudo de fora e reclamam dos tributos. Bostileiros acreditam no cholo galantido. Que país contaminado pela xina prosperou ?

Avatar
Diego 8 de fevereiro de 2026

O que me intriga é ver montadoras ditas “nacionais” lutando para aumentar os impostos das montadoras estrangeiras, mas não se mobilizarem para reduzir a própria carga tributária, de modo que o consumidor — seu cliente final — seja, de fato, beneficiado.

Avatar
José Manoel Padilha 7 de fevereiro de 2026

Eles não querem competitividade, querem vantagem pra encher de powerbank nos patios. Aqui perto de casa tem um terreno de uma fábrica que falou, está cheio dessas merdas apodrecendo há mais de um ano. Saiu no jornal da cidade, mas foi apagado no mesmo dia, dizem que foram pagos ou ameaçados para apagar.

Avatar
Everaldo Antônio Ramos 7 de fevereiro de 2026

Mal chegaram e ja querem mandar no país.

Avatar
Julio Cesar 7 de fevereiro de 2026

Interessante como a BYD vem querendo fazer com a estrutura do mercado nacional, ela simplesmente vem montar o seu Lego aqui mas não quer que as outras façam o mesmo. E ainda fica chorando para o governo federal fazendo de tudo para barrar a concorrência e querendo que o povo troque de carro na pura marra, e detalhe que é o carro deles, não pode ser um EV da concorrência…

Avatar
Guilherme 7 de fevereiro de 2026

Por mim podia fechar tudo e parar de fabricar as carroças “nacionais”. No Chile isso já aconteceu há anos e tá todo mundo vivo.

Avatar
Eddie 7 de fevereiro de 2026

Meu total apoio a medida do Governo, quer vender carro aqui, nacionalização ou taxa de importação para CKD e SKD.

Avatar
Pedroca 7 de fevereiro de 2026

Olha aí mais um que adora pagar imposto .

Avatar
Paulo Gomes 8 de fevereiro de 2026

É verdade, Pedroca… agora, ter uma alíquota de proteção é uma coisa, ter tributação a nível de 35%, é outra, é mais que 1/3 diferenciando umas das outras. . Imagina se a China revidasse, aplicando esse nível de impostos na soja brasileira, no milho brasileiro, no minério de ferro, hein??? O Brasil iria sentir,vê muito…

Avatar
Deixe um comentário