Governo reduz impostos para atrair montadoras asiáticas, mas impõe limite de 49 mil unidades anuais para proteger indústria local
Em uma guinada significativa de sua política comercial, o Canadá formalizou a redução drástica das tarifas sobre veículos elétricos importados da China, cortando a alíquota de 100% para apenas 6,1%. A medida, anunciada pelo primeiro-ministro Mark Carney após encontro com o presidente chinês Xi Jinping, em Pequim, visa equilibrar a pressão por carros mais acessíveis com a proteção da indústria local.
O acordo, no entanto, não é um “cheque em branco”. O governo canadense estabeleceu um sistema de cotas rígido: o volume de importações será limitado a 49 mil unidades anuais — patamar equivalente ao registrado em 2023 e que representa menos de 3% do mercado total de veículos novos no país. Além disso, há uma exigência de preço: metade desse contingente deve chegar às lojas custando menos de 35 mil dólares canadenses (cerca de R$ 145 mil).
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A estratégia de Carney é utilizar a abertura gradual como isca para atrair investimentos. Segundo o premiê, o objetivo é fomentar joint ventures, levando as montadoras chinesas a instalarem linhas de produção em solo canadense, respeitando as normas trabalhistas locais. “É uma abertura controlada para estimular parcerias industriais”, defendeu Carney.
Surpreendentemente, a iniciativa recebeu o aval do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, geralmente hostil ao comércio com Pequim, o que sugere um alinhamento estratégico na América do Norte. Contudo, a repercussão interna é negativa. Doug Ford, primeiro-ministro da província de Ontário (o coração automotivo do país), e Lana Payne, presidente do sindicato Unifor, classificaram o acordo como uma ameaça aos empregos e à soberania da manufatura canadense.
O pacto tem validade inicial de três anos, quando será submetido a uma reavaliação para medir o impacto na cadeia produtiva local.
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