Equipes universitárias surpreendem e se superam com carros que rodam centenas de quilômetros com apenas 1 litro de combustível
A oitava edição da Shell Eco-Marathon Brasil terminou nesta quinta-feira (28), no Píer Mauá (RJ), com resultados históricos e feitos inéditos. Reunindo 43 equipes universitárias de quatro países, esta foi a edição com o maior número de competidores até hoje. Pela primeira vez, todas as categorias tiveram vencedores.
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Criada em 1985, a Shell Eco-marathon chegou à América Latina em 2016 e funciona como um laboratório de inovação. A pista montada no Pier Mauá tem cerca de 800 metros, e cada equipe tem quatro tentativas para completar 10 voltas em até 25 minutos. O vencedor é aquele que consome menos energia no trajeto.
Os estudantes competem em duas categorias principais: protótipo, voltada para veículos ultraleves e futuristas, que buscam a máxima eficiência, e Conceito Urbano, que recria modelos mais próximos aos carros do dia a dia, mas com soluções sustentáveis. Em ambas, podem ser usados três tipos de energia: gasolina, baterias elétricas ou hidrogênio.
O grande destaque de 2025 foi a equipe Milhagem, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que conquistou o primeiro lugar em duas categorias diferentes. Nos Protótipos de bateria elétrica, o grupo venceu por apenas 500 metros de diferença, alcançando 373,7 km/kWh desempenho que seria suficiente para ligar o Rio de Janeiro a Ouro Preto (MG). Já entre o Conceito Urbano a combustão interna, a UFMG alcançou 54 km/l.
A história do Conceito Urbano desenvolvido pela equipe mineira é bastante interessante. Foram necessários cinco anos para que o modelo finalmente chegasse à pista e atendesse a todos os requisitos da fase de inspeção. Nesse período, diferentes gerações de alunos participaram do projeto até que ele fosse aprovado e, logo no primeiro ano de competição, conquistasse o título.
Outra equipe que fez história foi a Drop Team, do Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS Erechim). Pentacampeã da competição, a equipe conquistou o bicampeonato consecutivo na categoria Protótipo a combustão interna, com a impressionante marca de 699 km/l. Isso equivale a uma viagem de São Paulo a Florianópolis usando apenas 1 litro de gasolina.
Entre os carros movidos a hidrogênio, os feitos também chamaram atenção. A Eco Octano, da UFPR, conquistou a categoria de Protótipos, com 132 km/m³, enquanto a GCEE, da Unioeste (Foz do Iguaçu), entrou para a história como a primeira equipe a completar o percurso brasileiro com um Conceito Urbano a hidrogênio, alcançando 61 km/m³.
Além dos recordes, a Eco-marathon é marcada por histórias de bastidores. Em 2024, a própria equipe Milhagem revelou ter vendido açaí no campus da UFMG para financiar o projeto, levantando até R$ 2 mil por dia. No mesmo ano, o grupo enfrentou até um princípio de incêndio no paddock, mas conseguiu contornar a situação rapidamente, episódio que virou exemplo de trabalho em equipe e foi elogiado pela organização.
Também em 2024, os alunos da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) contaram como retomaram o projeto iniciado antes da pandemia com apenas R$ 300 em caixa, precisando vender rifas e paçoca para chegar à competição. Casos como esses reforçam o quanto os estudantes brasileiros precisam de criatividade e resiliência para colocar seus projetos na pista.
Se em 2024 já chamava atenção o domínio das federais apenas o Insper e o Instituto Mauá conseguiram se classificar entre 32 equipes majoritariamente de universidades públicas, em 2025 esse cenário se repete. UFMG, IFRS, UFPR, UTFPR e Unioeste voltaram a ocupar as primeiras colocações, mostrando a força do ensino público mesmo diante de dificuldades de financiamento e estrutura.
Confira a lista completa com todos os vencedores da competição.
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