Nova regra quer proteger indústria local de € 2,6 trilhões, mas montadoras alertam para o risco de aumento de preços e isolamento comercial
Em uma ofensiva para proteger sua base industrial da crescente concorrência chinesa, a União Europeia prepara uma legislação rigorosa que atrela a concessão de subsídios automotivos à produção local. Batizada de Lei do Acelerador Industrial, a nova proposta prevê que os carros elétricos beneficiados por incentivos estatais ou adquiridos via compras públicas tenham, obrigatoriamente, pelo menos 70% de seus componentes fabricados dentro do bloco europeu.
A manobra política tenta blindar um mercado avaliado em € 2,6 trilhões, que vem sofrendo duros golpes recentes com o fechamento de fábricas tradicionais . Pelo texto em discussão, além de atingir a cota de 70% de conteúdo regional — um cálculo de valor que, inicialmente, exclui o pacote de baterias —, os veículos precisarão ter sua montagem final realizada em países membros da UE para se qualificarem aos apoios financeiros.
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As baterias, que representam a maior fatia do custo de um veículo elétrico, receberam uma diretriz à parte. A legislação estipula que os principais elementos químicos e estruturais dos acumuladores de energia também tenham origem atestadamente europeia. O rigor da regra evidencia a urgência de Bruxelas em reduzir a extrema dependência tecnológica de fornecedores externos, forçando a construção de uma cadeia produtiva independente no continente.
A guinada protecionista, no entanto, abriu um racha profundo na indústria automotiva. De um lado, conglomerados como Volkswagen e Stellantis apoiam as novas barreiras como uma forma necessária de garantir a competitividade interna. De outro, fabricantes com forte presença global, como a BMW, alertam para os perigos de retaliações tarifárias e de um eventual isolamento comercial.
O desafio imediato do bloco será estruturar essa rede de fornecedores locais de forma eficiente e em tempo recorde. Especialistas do setor advertem que, dada a atual dependência dos insumos asiáticos, a transição forçada poderá gerar gargalos logísticos e encarecer drasticamente a produção, repassando a pesada conta da transição ecológica direto para o bolso do consumidor final.
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