Limite técnico e desinteresse de grandes marcas forçarão a BMW a aposentar o pedal de embreagem em seus próximos esportivos
O fim da linha para as transmissões manuais nos carros de alto desempenho da BMW não será ditado pela falta de puristas dispostos a pisar na embreagem, mas por uma barreira intransponível de engenharia e mercado. Segundo o chefe da divisão esportiva BMW M, Frank van Meel, o câmbio manual atingiu seu limite físico e logístico, o que inviabiliza sua aplicação na nova geração de motores de altíssima potência da marca bávara.
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O grande gargalo técnico está na capacidade de carga: a atual caixa manual utilizada pela montadora suporta um pico de apenas 56,0 kgfm de torque. Esse teto a torna absolutamente incompatível com a força bruta de lançamentos recentes, como o novo BMW M5, que despeja 102,0 kgfm nas rodas, ou mesmo as apimentadas versões CS do M2, M3 e M4. Além disso, as rígidas normas ambientais europeias pesam contra: as transmissões automáticas modernas são mais eficientes na gestão do motor e na redução do consumo.

A situação se agrava com o desinteresse da cadeia global de fornecedores, liderada por gigantes como ZF e Getrag. Como rivais de peso — a exemplo de Audi e Mercedes-Benz — focaram integralmente no luxo automático, o volume de pedidos para caixas manuais despencou. Desenvolver uma transmissão mecânica inédita, capaz de tolerar o alto torque exclusivo da divisão M, seria financeiramente inviável sem o compartilhamento de custos com outras montadoras.
Embora o mercado norte-americano conte com transmissões manuais capazes de lidar com torques massivos, elas entregam trocas mais ríspidas, típicas de muscle cars. Para a BMW, esse comportamento mecânico quebra o padrão de refinamento exigido por seus clientes, arruinando o equilíbrio entre conforto e performance.
Neste cenário, o ato de trocar marchas no braço caminha para se tornar uma excentricidade restrita a hipercarros ultraexclusivos, como os da Pagani. Para os fãs da BMW, resta aproveitar o tempo extra: os atuais M2, M3 e M4 manterão o pedal de embreagem por mais alguns anos, mas sua sobrevivência na próxima década é dada como improvável diante do avanço da eletrificação.
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