China passa a controlar 70% do mercado global de baterias e encurrala montadoras ocidentais

Avanço meteórico de gigantes asiáticas ameaça a produção de elétricos acessíveis no Ocidente e já causa demissões em fábricas americanas

Battery production jpg
A expansão da BYD para a Turquia e Hungria visa driblar barreiras comerciais e aproximar a produção dos mercados consumidores (Foto: CATL | Divulgação)
Por Tom Schuenk
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 19/03/2026 às 21h00

A China consolidou sua hegemonia no mercado global de baterias para veículos elétricos, passando a controlar cerca de 70% da produção mundial em 2025. O avanço acelerado — um salto expressivo em relação aos menos de 50% registrados em 2021 — impõe um desafio logístico e comercial sem precedentes para as montadoras ocidentais, que agora dependem estruturalmente da tecnologia asiática para viabilizar suas frotas.

AutoPapo
NÃO FIQUE DE FORA do que acontece de mais importante no mundo sobre rodas!
Seguir AutoPapo no Google

O domínio chinês é evidenciado pelo ranking das principais fabricantes globais. Das dez maiores empresas do mundo em capacidade instalada, seis pertencem ao país asiático. A CATL manteve a liderança isolada do setor, fornecendo componentes para modelos ocidentais de peso. A gigante reportou um lucro líquido recorde de 72,2 bilhões de yuans (cerca de US$ 10,4 bilhões) em 2025, em uma alta de 42% na comparação anual.

Logo atrás da CATL figura a BYD. Além de equipar seus próprios veículos, a marca expandiu o fornecimento de células para concorrentes como Stellantis e Xiaomi, fortalecendo sua presença com novas frentes na Hungria e na Turquia.

VEJA TAMBÉM:

Retração sul-coreana e o futuro dos preços

Em contraste com a blindagem das empresas chinesas, que possuem baixa exposição ao mercado dos Estados Unidos, as fabricantes da Coreia do Sul amargam uma retração severa. Companhias como LG Energy Solution e SK On sentiram o peso da desaceleração nas vendas de elétricos na América do Norte, resultando em reestruturações de ativos nas fábricas de Ohio e demissões em plantas na Geórgia.

A vantagem estratégica da China acende um alerta: ao monopolizar a cadeia produtiva, Pequim ganha o poder de ditar o preço mínimo global das baterias. Especialistas apontam que essa concentração dificulta a meta das montadoras americanas de lançar carros elétricos acessíveis, na concorrida faixa dos US$ 30.000.

Apesar da queda de 28% nas vendas globais de elétricos entre janeiro e fevereiro de 2026, a dependência em relação à China continua sendo o principal gargalo do Ocidente. Sem uma rápida expansão produtiva doméstica ou em países aliados, os custos de fabricação fora da Ásia continuarão elevados, restringindo a eletrificação a nichos de maior poder aquisitivo.

Newsletter
Receba diariamente notícias, dicas e conteúdos exclusivos que foram destaque no AutoPapo.

👍  Curtiu? Apoie nosso trabalho seguindo nossas redes sociais e tenha acesso a conteúdos exclusivos. Não esqueça de comentar e compartilhar.

TikTok TikTok YouTube YouTube Facebook Facebook X X Instagram Instagram
Siga no

Ah, e se você é fã dos áudios do Boris, acompanhe o AutoPapo no YouTube Podcasts:

Podcast - Ouviu na Rádio Podcast - Ouviu na Rádio AutoPapo Podcast AutoPapo Podcast
0 Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Comentários com palavrões e ofensas não serão publicados. Se identificar algo que viole os termos de uso, denuncie.
Avatar
Deixe um comentário