Crise de montadoras alemãs ameaça ‘berço’ da engenharia alemã

A região de Baden-Württemberg, berço da engenharia alemã, registrou o fechamento de mais de 2.400 empresas ligadas ao setor automotivo em um único ano

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A transição para os carros elétricos exige investimentos bilionários que muitas fornecedoras tradicionais não conseguem suportar (Foto: Mercedes-Benz | Divulgação)
Por Tom Schuenk
Publicado em 26/02/2026 às 15h21

A indústria automotiva alemã enfrenta uma crise estrutural que coloca em risco sua histórica liderança global, especialmente na região de Baden-Württemberg. O estado, que abriga as sedes da Porsche e da Mercedes-Benz, enfrenta custos de produção elevados e uma concorrência externa cada vez maior. O setor, que antes representava o auge da engenharia europeia, agora luta contra a instabilidade econômica e os desafios impostos pela transição forçada para a eletrificação.

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Declínio econômico e falências em Baden-Württemberg

A região sente os impactos mais do que o restante do país por ter uma dependência industrial maior. Enquanto a economia nacional apresentou retração, a queda do PIB de Baden-Württemberg foi o dobro da média do país, atingindo 0,4%. As fábricas representam quase 40% do valor adicionado bruto da região, tornando o ecossistema local vulnerável a qualquer oscilação.

A crise não atinge apenas as grandes montadoras, mas também nomes históricos de componentes e acessórios que moldaram a cultura automotiva mundial. Empresas como a Recaro e a BBS declararam insolvência recentemente, evidenciando a fragilidade de toda a cadeia de suprimentos alemã. O sindicato IG Metall tem trabalhado para evitar demissões em massa, recorrendo a medidas drásticas, como a redução da jornada de trabalho, para tentar conter o avanço do desemprego no setor.

Sede da Porsche em Stuttgart, na Alemanha (Foto: Markus Mainka/Shutterstock)
Sede da Porsche em Stuttgart, na Alemanha (Foto: Markus Mainka/Shutterstock)

Pressão internacional e os desafios até 2030

Alguns fatores externos complicam a recuperação sob o governo do chanceler Friedrich Merz, com destaque para a invasão de componentes chineses de baixo custo no mercado europeu. Além disso, algumas políticas tarifárias internacionais impactam diretamente as exportações da região. O aumento nos preços de energia e as metas climáticas rigorosas tornam a fabricação local menos competitiva frente aos novos competidores globais, criando um cenário de incerteza para o final desta década.

As projeções indicam que a região pode perder até 14 mil postos de trabalho até 2030, caso o cenário atual persista. É notável que a transição dos motores a combustão para os elétricos transformou o que era motivo de orgulho nacional em um desafio de sobrevivência industrial inédito. O futuro do polo automotivo alemão dependerá da capacidade das empresas em reduzir custos e inovar tecnologicamente, ao mesmo tempo que tentam manter sua relevância.

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