Crise nos EUA: Ford, GM e Stellantis perdem US$ 50 bilhões com elétricos

Fim de incentivos no governo Trump e atraso tecnológico ameaçam rebaixar indústria americana no mercado global, enquanto a China dispara

sede da gm em detroit linda parton shutterstock
Após décadas de liderança, montadoras americanas enfrentam prejuízos, recuo regulatório e avanço acelerado da China (Foto: Shutterstock)
Por Júlia Haddad
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 25/02/2026 às 22h00

As três gigantes de Detroit — Ford, General Motors e Stellantis — acumulam perdas superiores a US$ 50 bilhões em suas divisões de veículos elétricos, em meio a um desmonte das políticas ambientais nos Estados Unidos. O cenário, agravado pelo recente fim dos incentivos federais promovido pelo governo Donald Trump, ameaça rebaixar a outrora pioneira indústria automotiva americana a um papel coadjuvante no mercado global.

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O rombo multibilionário é o preço cobrado por anos de hesitação, segundo análise do site The Verge. Enquanto concorrentes inovavam com plataformas dedicadas, as montadoras tradicionais priorizaram adaptar modelos a combustão já existentes, resultando em elétricos caros e tecnologicamente defasados.

A conta chegou em forma de baixas contábeis severas: a Ford amargou prejuízo de US$ 19,5 bilhões e encerrou a produção da picape F-150 Lightning; a GM registrou perdas de US$ 7,6 bilhões; e a Stellantis liderou o revés com US$ 26,6 bilhões.

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No campo político, a transição energética sofreu um freio brusco. O presidente Trump extinguiu o vital crédito fiscal de US$ 7.500 para consumidores e afrouxou as regras de emissões. A Agência de Proteção Ambiental (EPA) chegou a anular a “constatação de perigo” climática que fundamentava padrões federais desde 2010. A Califórnia, tradicional reduto verde, agora trava uma batalha judicial para manter sua autonomia regulatória. O impacto nas concessionárias foi imediato: no trimestre seguinte ao corte do bônus, as vendas de elétricos da GM despencaram 43%.

Enquanto o mercado interno americano recua e estagna na faixa de 10% de participação para os elétricos, o cenário externo avança em ritmo acelerado. Em 2025, o mundo emplacou 20,7 milhões de veículos elétricos — um salto imenso ante os 3 milhões registrados em 2020.

O contraste global é ditado pela China, que injetou até US$ 250 bilhões em sua cadeia produtiva e viu a adoção de elétricos bater 50% nas vendas internas. Protegidas em casa por barreiras tarifárias, as montadoras dos EUA enfrentam hoje um dilema existencial: abandonar a eletrificação e perder relevância internacional ou sustentar os prejuízos para tentar competir na nova ordem automotiva, dominada por gigantes asiáticas como BYD e Xiaomi.

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