Fim de incentivos no governo Trump e atraso tecnológico ameaçam rebaixar indústria americana no mercado global, enquanto a China dispara
As três gigantes de Detroit — Ford, General Motors e Stellantis — acumulam perdas superiores a US$ 50 bilhões em suas divisões de veículos elétricos, em meio a um desmonte das políticas ambientais nos Estados Unidos. O cenário, agravado pelo recente fim dos incentivos federais promovido pelo governo Donald Trump, ameaça rebaixar a outrora pioneira indústria automotiva americana a um papel coadjuvante no mercado global.
O rombo multibilionário é o preço cobrado por anos de hesitação, segundo análise do site The Verge. Enquanto concorrentes inovavam com plataformas dedicadas, as montadoras tradicionais priorizaram adaptar modelos a combustão já existentes, resultando em elétricos caros e tecnologicamente defasados.
A conta chegou em forma de baixas contábeis severas: a Ford amargou prejuízo de US$ 19,5 bilhões e encerrou a produção da picape F-150 Lightning; a GM registrou perdas de US$ 7,6 bilhões; e a Stellantis liderou o revés com US$ 26,6 bilhões.
VEJA TAMBÉM:
No campo político, a transição energética sofreu um freio brusco. O presidente Trump extinguiu o vital crédito fiscal de US$ 7.500 para consumidores e afrouxou as regras de emissões. A Agência de Proteção Ambiental (EPA) chegou a anular a “constatação de perigo” climática que fundamentava padrões federais desde 2010. A Califórnia, tradicional reduto verde, agora trava uma batalha judicial para manter sua autonomia regulatória. O impacto nas concessionárias foi imediato: no trimestre seguinte ao corte do bônus, as vendas de elétricos da GM despencaram 43%.
Enquanto o mercado interno americano recua e estagna na faixa de 10% de participação para os elétricos, o cenário externo avança em ritmo acelerado. Em 2025, o mundo emplacou 20,7 milhões de veículos elétricos — um salto imenso ante os 3 milhões registrados em 2020.
O contraste global é ditado pela China, que injetou até US$ 250 bilhões em sua cadeia produtiva e viu a adoção de elétricos bater 50% nas vendas internas. Protegidas em casa por barreiras tarifárias, as montadoras dos EUA enfrentam hoje um dilema existencial: abandonar a eletrificação e perder relevância internacional ou sustentar os prejuízos para tentar competir na nova ordem automotiva, dominada por gigantes asiáticas como BYD e Xiaomi.
👍 Curtiu? Apoie nosso trabalho seguindo nossas redes sociais e tenha acesso a conteúdos exclusivos. Não esqueça de comentar e compartilhar.
|
|
|
|
X
|
|
|
Siga no
|
||||
Ah, e se você é fã dos áudios do Boris, acompanhe o AutoPapo no YouTube Podcasts:
Podcast - Ouviu na Rádio
|
AutoPapo Podcast
|