Após expansão acelerada de pessoal e queda de vendas na China, marca alemã revive fantasma da crise dos anos 1990 e inicia plano de austeridade
A Porsche encerrou um ciclo de euforia e agora encara um choque de realidade. Após anos de recordes consecutivos, a montadora alemã viu sua margem operacional despencar de saudáveis 14,1% para preocupantes 0,2% no início de 2025. O resultado financeiro acende um alerta vermelho em Stuttgart e evoca fantasmas do passado, remetendo à grave crise que quase levou a empresa à falência no início dos anos 1990.
A deterioração dos índices de lucratividade é reflexo direto de uma “tempestade perfeita”: custos fixos elevados e queda abrupta na demanda. Embora tenha ultrapassado a barreira de 300 mil veículos vendidos em 2024 (totalizando 310.078 unidades), a marca sofreu um revés significativo na China, seu maior mercado, o que comprometeu o fluxo de caixa global.
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Analistas apontam que a Porsche cresceu rápido demais, tornando sua estrutura pesada e vulnerável. Em pouco mais de uma década, impulsionada pelo sucesso de modelos como Cayenne e Macan, o quadro de funcionários saltou de 25 mil para mais de 42 mil colaboradores. Esse inchaço elevou os custos operacionais justamente num momento de transição tecnológica difícil, obrigando a empresa a manter investimentos duplos: na eletrificação e na atualização de motores a combustão.
Para estancar a sangria, a diretoria acionou o plano de austeridade batizado de “Pacote Estrutural II”. As medidas são impopulares: fim de bônus anuais generosos, congelamento de aumentos salariais automáticos, redução de cargos administrativos e corte de pausas extras nas linhas de montagem. O rigor nas regras para o teletrabalho também aumentou.
A reestruturação atinge também a rede física. Na China, a montadora iniciou o fechamento de concessionárias e estações de recarga, reduzindo sua presença para cerca de 100 centros. A missão de “limpar a casa” e recuperar a rentabilidade até o fim de 2026 recai agora sobre a gestão executiva, que precisa provar que a Porsche não repetirá os erros de três décadas atrás.
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