Ela estacionou o carro na grama de casa e agora deve quase R$ 1 milhão em multas à prefeitura

Entenda a "brecha" na lei que permitiu que uma infração simples virasse uma bola de neve impagável nos Estados Unidos

FL Lantana Zenaida Sandy Martinez DF4A0621
A norma municipal de Lantana proíbe o estacionamento sobre a vegetação para garantir a manutenção estética das propriedades (Foto: Institute for Justice | Reprodução)
Por Tom Schuenk
Publicado em 13/01/2026 às 16h00

Sandy Martinez, moradora de Lantana, na Flórida, enfrenta um impasse jurídico e financeiro que coloca em risco seu patrimônio familiar. Ela acumula uma dívida superior a US$ 165.000 (cerca de R$ 990 mil) junto ao município, decorrente majoritariamente de infrações por estacionar veículos sobre a grama de sua própria residência. A cidade aponta violação de códigos de postura que proíbem o estacionamento em áreas não-pavimentadas, transformando o caso em um símbolo nacional do debate sobre cobranças administrativas desproporcionais nos Estados Unidos.

AutoPapo
NÃO FIQUE DE FORA do que acontece de mais importante no mundo sobre rodas!
Seguir AutoPapo no Google

VEJA TAMBÉM:

Efeito bola de neve e o impacto familiar

A origem do montante exorbitante reside na aplicação de multas diárias e cumulativas. Desde 2021, Martinez é penalizada em US$ 250 (aproximadamente R$ 1.500) por dia. Do total de US$ 165 mil, mais de US$ 100 mil (cerca de R$ 600 mil) referem-se exclusivamente ao estacionamento irregular — o restante envolve infrações menores, como danos na cerca e rachaduras na calçada.

A situação gerou imobilidade financeira para a família. Martinez, mãe solteira que divide a casa com a irmã e os filhos, argumenta que o imóvel possui garagem pequena, o que a obrigava a usar parte do gramado para acomodar os quatro veículos da família. Com a dívida averbada, ela está impedida de vender a propriedade.

Sandy Martinez em frente à sua casa na Flórida
Foto: Institute for Justice | Reprodução

Suprema Corte mantém penalidade

O caso sofreu um revés decisivo recentemente, quando a Suprema Corte da Flórida recusou o pedido de revisão do processo, mantendo as penalidades impostas pelas instâncias inferiores. O Institute for Justice, organização que assumiu a defesa de Sandy, sustenta que o valor fere a Cláusula de Multas Excessivas da 8ª Emenda da Constituição dos EUA.

A defesa argumenta que há um “vácuo jurídico” perigoso. Embora a Constituição proíba punições desproporcionais, tribunais da Flórida têm interpretado que, se a multa diária individual (US$ 250) for considerada razoável, o valor acumulado — mesmo que atinja cifras milionárias — não seria inconstitucional.

Essa interpretação se baseia em precedentes locais, como o caso Suzi, onde um morador foi multado em US$ 30.000 por grama alta. Sem uma definição federal precisa do que constitui uma multa “excessiva” no agregado, governos locais continuam a aplicar sanções que, segundo críticos, funcionam como confisco velado de propriedade.

Newsletter
Receba semanalmente notícias, dicas e conteúdos exclusivos que foram destaque no AutoPapo.

👍  Curtiu? Apoie nosso trabalho seguindo nossas redes sociais e tenha acesso a conteúdos exclusivos. Não esqueça de comentar e compartilhar.

TikTok TikTok YouTube YouTube Facebook Facebook X X Instagram Instagram

Ah, e se você é fã dos áudios do Boris, acompanhe o AutoPapo no YouTube Podcasts:

Podcast - Ouviu na Rádio Podcast - Ouviu na Rádio AutoPapo Podcast AutoPapo Podcast
0 Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Comentários com palavrões e ofensas não serão publicados. Se identificar algo que viole os termos de uso, denuncie.
Avatar
Deixe um comentário