Ferrari cria carro ‘proibido’ com cores e elementos que a marca não permitia até agora

nidade exclusiva do 12Cilindri desafia as regras estritas de Maranello com pintura de 13 camadas e interior feito com crina de cavalo

Ferrari 12Cilindri
Diversos elementos da Ferrari 12Cilindri foram modificados por artistas visuais coreanos (Foto: Ferrari | Divulgação)
Por Júlia Haddad
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 21/01/2026 às 10h00

Conhecida historicamente pelo controle duro sobre a estética de seus carros — chegando a vetar clientes que modificam a identidade visual da marca —, a Ferrari abriu uma exceção rara. A montadora italiana apresentou uma unidade exclusiva do 12Cilindri, que desafia suas diretrizes tradicionais ao incorporar elementos inéditos de personalização.

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Desenvolvido ao longo de quase dois anos pelo departamento Tailor Made em colaboração com o escritório criativo da marca e artistas asiáticos, o projeto se destaca por flexibilizar regras de design. O maior exemplo está nas rodas: pela primeira vez em um modelo de fábrica, a Ferrari autorizou o uso de pinças de freio na cor branca, um tom geralmente restrito para preservar a imagem esportiva clássica associada ao vermelho ou amarelo.

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A “quebra de protocolo” se estende ao interior, onde as borboletas de troca de marcha também receberam acabamento branco, algo incomum no portfólio padrão.

Batizado com a cor exclusiva Yoonseul, o carro exibe uma pintura iridescente de 13 camadas. O tom predominante é verde, inspirado na cerâmica tradicional coreana Celadon, mas reage à luz revelando reflexos violeta e azulados. O nome faz referência ao termo coreano para o brilho da luz solar refletida nas ondulações da água.

A cabine reforça o caráter de “galeria de arte” sobre rodas. A artista Dahye Jeong criou um tecido 3D exclusivo para os bancos e teto, enquanto o painel incorpora crina de cavalo tecida à mão. O túnel central, desenvolvido por Hyunhee Kim, utiliza acabamentos translúcidos que fogem da fibra de carbono convencional.

Mecanicamente, o carro mantém o V12 de 6,5 litros, mas até o motor virou arte visual: uma grafia no capô, criada pela dupla GRAYCODE e jiiiiin, representa as ondas sonoras do propulsor. O valor do modelo supera largamente o preço base de US$ 464 mil (cerca de R$ 2,7 milhões), servindo como vitrine para o potencial de personalização extrema — e lucrativa — que a Ferrari busca explorar.

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