Gigante sul-coreana vendeu unidade por valor simbólico e confirma que não voltará a produzir no país devido ao prolongamento da guerra na Ucrânia
A Hyundai selou sua saída definitiva do mercado russo nesta segunda-feira (2). A montadora sul-coreana confirmou que não exerceu a opção de recompra de sua fábrica em São Petersburgo, cujo prazo contratual expirou oficialmente em janeiro, transferindo a posse integral do ativo para o grupo local AGR Automotive.
A fábrica havia sido vendida às pressas, pelo equivalente a R$ 500, logo após a invasão da Ucrânia — quando as sanções impostas à Rússia causaram uma debandada de marcas internacionais do país. A decisão de agora reflete o prolongamento da guerra entre os vizinhos e o endurecimento das sanções econômicas, que inviabilizaram a manutenção das cadeias de suprimentos e o fluxo financeiro. A unidade havia sido negociada em 2024 em um acordo que previa uma janela de dois anos para um possível retorno — cláusula que a empresa optou por deixar caducar.
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O movimento marca uma virada histórica no setor automotivo local. Antes da eclosão do conflito no leste europeu, a Hyundai e sua afiliada Kia detinham a liderança entre as fabricantes estrangeiras na Rússia, operando com volumes robustos de produção e vendas. Com a suspensão das atividades das marcas ocidentais e asiáticas aliadas aos EUA, o vácuo de oferta foi rapidamente preenchido pela indústria da China.
Nos últimos quatro anos, montadoras chinesas capitalizaram sobre a ausência de concorrentes globais para assumir o controle majoritário do mercado russo. A antiga fábrica da Hyundai, agora sob gestão plena da AGR, deve seguir focada na montagem de veículos de marcas parceiras ou rebranding de modelos, consolidando a nova geografia econômica da região.
Apesar do encerramento do ciclo industrial, a Hyundai comunicou que manterá a responsabilidade sobre a frota circulante. A empresa reiterou o compromisso de fornecer peças de reposição, reparos em garantia e serviços de atendimento aos clientes que já possuem veículos da marca no país. A estratégia visa preservar a reputação da companhia e evitar passivos jurídicos, enquanto a montadora realoca seus investimentos para mercados com maior previsibilidade e segurança jurídica fora da zona de conflito.
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