Juros de 26% não impedem reação e setor automotivo fecha 2025 com saldo positivo

Melhora no crédito no fim do ano e explosão das exportações para a Argentina salvam balanço da indústria; veja os números

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Vendas de veículos novos crescem em dezembro, impulsionadas por queda nos juros e melhora no crédito (Foto: Banco de Imagem | Shutterstock)
Por Júlia Haddad
Publicado em 05/02/2026 às 16h00

O mercado automotivo brasileiro encerrou 2025 com sinais de fôlego renovado. Impulsionadas por uma melhora marginal nas condições de crédito no último trimestre, as vendas de veículos novos registraram um salto de 9,7% em dezembro na comparação com o mesmo período do ano anterior. Os dados, compilados na Análise Setorial do Data OLX Autos, indicam que o recuo da inadimplência — que caiu para 5,32% entre pessoas físicas e 3,40% para empresas — foi decisivo para destravar os pátios no fim do ano.

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A reação tardia, contudo, ocorreu em um cenário monetário ainda restritivo. Com a taxa Selic estacionada em 15% e os juros médios para financiamento de veículos atingindo 26,6% em novembro, o acesso ao capital permaneceu caro. A expectativa do setor recai agora sobre o Banco Central, com previsão de início do ciclo de cortes da taxa básica para março de 2026, o que deve aliviar o custo das parcelas.

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No acumulado de 2025, essa rigidez financeira gerou desempenhos desiguais. O volume total de financiamentos encolheu 0,7%, mas a divisão por categoria expõe a dificuldade do consumidor de menor renda: enquanto o crédito para modelos novos cresceu 2,7%, o segmento de usados amargou queda de 1,5%. Na indústria, a resiliência prevaleceu, com a Anfavea reportando alta de 4,5% na produção e 2,6% nos emplacamentos totais ao longo dos 12 meses.

O destaque positivo ficou por conta do comércio exterior. As exportações de veículos leves dispararam 31%, puxadas pela recuperação econômica da Argentina, que absorveu quase 65% das remessas brasileiras. Na ponta inversa, a China consolidou-se como a maior origem dos importados (44,3%). No bolso do consumidor, a dinâmica de preços seguiu tendências opostas: em um ano de inflação controlada (IPCA de 4,26%), os carros novos encareceram 3,05%, enquanto os usados registraram deflação de 2,26%, tornando-se uma opção financeiramente mais atrativa diante dos juros elevados.

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