O fim da polêmica: BMW admite fracasso em cobrar para destravar recursos já instalados no carro

Após reação negativa global, fabricante abandona modelo de cobrança para aquecimento de bancos, mas mantém estratégia para software

bmw ix3 interior by water
Clientes da marca reagiram mal à ideia de pagar mensalidade por equipamentos já instalados na fábrica (Foto: BMW | Divulgação)
Por Tom Schuenk
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 05/02/2026 às 15h00

A BMW admitiu publicamente que a estratégia de cobrar assinaturas mensais ou anuais para a ativação de itens já instalados nos carros, como os bancos aquecidos, foi um erro de cálculo comercial. A iniciativa, implementada em diversos mercados globais há pouco mais de um ano, gerou uma reação negativa imediata e intensa por parte dos consumidores. A principal crítica residia na percepção de injustiça: o cliente sentia que estava pagando duas vezes — primeiro pelo veículo físico e depois para “destravar” um componente que já estava instalado na fábrica.

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Diante da rejeição e do risco à reputação da marca, a montadora alemã confirmou, ao site Drive.au, o abandono desse modelo para componentes estáticos. A partir de agora, equipamentos de conforto voltam a ser comercializados exclusivamente como opcionais de pagamento único no ato da compra ou no pós-venda definitivo, sem taxas recorrentes.

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A divisão entre hardware e software

Apesar do recuo tático em relação aos itens físicos, a BMW não desistiu do conceito de “Carro como Serviço”. A empresa manterá — e pretende expandir — o modelo de assinaturas para recursos baseados puramente em software e serviços digitais. A justificativa corporativa é que sistemas como o assistente de estacionamento autônomo e atualizações de tráfego em tempo real exigem processamento de dados contínuo e manutenção de servidores, o que legitima a cobrança periódica.

Segundo a direção da empresa, a flexibilidade ainda é um ativo valioso para o consumidor moderno, permitindo, por exemplo, ativar sistemas de assistência à condução apenas em períodos de férias ou viagens longas. No entanto, o “caso dos bancos aquecidos” serviu como um limitador claro: a aceitação do mercado para microtransações encerra-se onde começa a posse física do veículo.

O movimento da BMW serve como um alerta para todo o setor premium. Outras fabricantes, como a Mercedes-Benz (que cobra anuidade para liberar mais potência em seus elétricos) e a Tesla (com seu sistema FSD), seguem testando a tolerância do consumidor, buscando transformar o automóvel em uma plataforma de receita recorrente, similar aos smartphones.

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