O fim do carro nacional? Anfavea alerta para risco de Brasil virar ‘montadora de peças chinesas’

Estudo da Anfavea projeta cenário crítico caso fábricas brasileiras se limitem a montar kits importados, reduzindo arrecadação e tecnologia

Fábrica da Chevrolet em Gravataí (RS)
Montadoras tradicionais acusam marcas chinesas de estarem fabricando 'no migué' aqui no Brasil (Foto: Chevrolet | Divulgação)
Por Júlia Haddad
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 20/01/2026 às 17h00

A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) emitiu um alerta contundente sobre os riscos da expansão do modelo de montagem de veículos via kits importados (SKD e CKD) no Brasil. Para a entidade, o perigo não reside no uso transitório desse regime, mas na perpetuação de incentivos fiscais sem a contrapartida de conteúdo local, o que poderia reduzir a complexidade da indústria nacional.

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A projeção da associação desenha um cenário crítico: caso a produção integral fosse substituída por essas operações simplificadas — convertendo fábricas em meras montadoras de peças estrangeiras —, o setor poderia perder 69 mil empregos diretos, o equivalente a 75% da força de trabalho atual. Na cadeia de fornecedores, o impacto eliminaria outros 227 mil postos. O estudo estima ainda um colapso de R$ 103 bilhões anuais nas compras de autopeças nacionais.

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O efeito cascata atingiria as contas públicas, com previsão de queda de R$ 26 bilhões na arrecadação de ICMS e PIS/Cofins, além de uma retração de R$ 42 bilhões nas exportações de veículos leves.

A discussão técnica envolve o grau de desmonte. No regime SKD (semi-knocked down), o carro chega em grandes módulos pré-montados. No CKD (completely knocked down), as peças vêm separadas, exigindo soldagem e pintura local. A polêmica intensificou-se após o MDIC autorizar 15 montadoras a importar kits de eletrificados com alíquota zero por seis meses. A lista beneficia desde marcas tradicionais, como Audi e Toyota, até as chinesas BYD e GWM.

Na prática, a BYD opera em regime SKD na Bahia como etapa de transição, enquanto a GWM mantém atividades em Iracemápolis. A Anfavea pressiona pelo fim do benefício ainda em janeiro, conforme sinalizado anteriormente pelo governo.

Igor Calvet, presidente da entidade, argumenta que o incentivo prolongado compromete a densidade industrial. “O problema é manter benefícios sem exigência de valor nacional”, afirma. A associação sustenta que a indústria instalada, apoiada por R$ 190 bilhões em investimentos recentes (programas Rota 2030 e Mover), corre o risco de perder competitividade para operações de baixa agregação de valor incentivadas tributariamente.

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