O paradoxo da Uber: por que as ações caíram mesmo com recorde de usuários?

Gigante dos transportes superou expectativas de demanda, mas "tropeço" no lucro e incertezas sobre autônomos assustaram investidores

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A concorrência com os robotáxis da Waymo e Tesla é a principal preocupação dos investidores (Foto: Shutterstock | Reprodução)
Por Tom Schuenk
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 06/02/2026 às 20h00

A Uber encerrou 2025 atingindo um marco histórico de mais de 200 milhões de usuários ativos mensais em sua plataforma, superando as projeções de crescimento de demanda. O volume robusto de clientes, contudo, não foi suficiente para blindar a empresa do mau humor do mercado financeiro. Isso porque a divulgação dos resultados do quarto trimestre provocou uma queda imediata nas ações, motivada por lucros operacionais aquém do esperado e dúvidas persistentes sobre a estratégia para veículos autônomos.

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O lucro operacional reportado foi de US$ 1,77 bilhão (cerca de R$ 9,36 bilhões). Embora o número represente um crescimento em relação ao ano anterior, ele frustrou as expectativas de Wall Street, que projetava uma meta de US$ 1,85 bilhão (aproximadamente R$ 9,79 bilhões).

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Investimentos pesam no balanço

A reação negativa dos investidores derrubou os papéis da companhia em até 10% logo após o anúncio. Parte desse desempenho financeiro foi impactada pela reavaliação de investimentos estratégicos em empresas parceiras, como a fabricante de elétricos Lucid e a desenvolvedora de tecnologia autônoma Aurora, que geraram perdas contábeis no período.

Além das finanças, a Uber enfrenta um debate existencial sobre o futuro dos robotáxis. Enquanto concorrentes como Waymo e Tesla buscam controlar toda a cadeia — operando frotas próprias —, o CEO Dara Khosrowshahi defende um modelo de “marketplace”. A aposta da Uber é se posicionar como a grande parceira logística para essas tecnologias, em vez de fabricar ou gerir os carros autônomos diretamente.

Dança das cadeiras e projeções para 2026

Olhando para 2026, a companhia tenta acalmar o mercado projetando um ambiente de preços mais racional nos Estados Unidos, auxiliado por uma esperada redução nos custos de seguros, o que deve melhorar as margens. As reservas brutas continuam fortes, somando US$ 54,1 bilhões (R$ 308,3 bilhões).

Neste cenário de transição, a Uber confirmou uma mudança relevante em sua alta cúpula. O diretor financeiro (CFO) Prashanth Mahendra-Rajah deixará o cargo ainda em fevereiro de 2026. Ele será substituído por Balaji Krishnamurthy, que assume com a missão de equilibrar a expansão da base de usuários com a rentabilidade exigida pelos acionistas.

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