Sem gasolina, adapta Fiat 126 para rodar com carvão vegetal em Cuba

Diante de bloqueio e falta de gasolina, mecânico transforma carro com peças de descarte em gaseificador móvel; tecnologia remonta à 2ª Guerra

Cubano adapta Fiat 1980 para rodar com carvão vegetal em meio à crise
O sistema é perigoso: ele produz monóxido de carbono, um gás invisível e letal em caso de vazamentos (Foto: Reuters | Reprodução)
Por Tom Schuenk
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 26/03/2026 às 16h00

Diante da crise de abastecimento e do bloqueio de petróleo que afeta Cuba, o mecânico Juan Carlos Pino encontrou uma alternativa engenhosa para manter seu veículo rodando: adaptou um Polski Fiat 1980 para ser movido a carvão vegetal. A solução caseira, baseada em tecnologias do século 20, contorna a escassez de gasolina ao transformar o carro em um gaseificador móvel.

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O modelo utilizado, uma versão produzida sob licença na Polônia do clássico Fiat 126, teve a tampa traseira do motor removida para abrigar a invenção. Em testes recentes, o veículo adaptado percorreu 85 quilômetros e atingiu a velocidade máxima de 70 km/h, desempenho considerado satisfatório frente à paralisia imposta pela falta de combustíveis na ilha.

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A estrutura inusitada e o desempenho

Longe de depender de componentes de ponta, o sistema montado na traseira do veículo foi construído inteiramente com materiais de descarte. A câmara de combustão principal consiste em um antigo botijão de gás propano, selado hermeticamente com a tampa de um transformador elétrico. Já o sistema de filtragem, crucial para impedir que impurezas cheguem ao motor, foi improvisado com um galão de leite de aço inoxidável preenchido com roupas velhas.

A mecânica apoia-se no princípio da gaseificação. O carvão queima na câmara e gera monóxido de carbono. Inicialmente, um soprador elétrico força a passagem desse gás por uma câmara de resfriamento e pelo filtro até alcançar o carburador, onde se mistura ao ar para alimentar o motor, exatamente como faria o vapor de gasolina. Assim que o motor atinge rotação contínua, o vácuo gerado pelos cilindros passa a puxar o gás, dispensando o uso do soprador.

Apesar de chamar a atenção nas ruas hoje, a tecnologia não é inédita. O uso de gasogênios acoplados a automóveis tornou-se extremamente comum na Europa durante a Segunda Guerra Mundial, período também marcado por severo racionamento.

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