Laudo de acidente aponta que portas do sedã elétrico travam em caso de incêndio; agência pede recolhimento de 370 mil carros
A Xiaomi enfrenta um crescente escrutínio público na China sob a exigência de um recall envolvendo mais de 370 mil unidades do sedã elétrico SU7. A pressão, liderada pelo periódico financeiro Yicai, tem como alvo uma falha crítica de segurança no design das maçanetas embutidas, que pode impedir o resgate de ocupantes em acidentes graves. O imbróglio ganhou força nas últimas semanas após a divulgação de um laudo pericial sobre uma colisão fatal ocorrida em outubro do ano passado.
Durante o sinistro, o sistema de baixa tensão do veículo foi severamente danificado e desligou após o impacto inicial. Sem energia, as maçanetas eletrônicas não se projetaram para fora. Como o projeto da primeira geração do SU7 não contempla um mecanismo de destravamento mecânico pelo lado externo, as testemunhas que tentaram socorrer o motorista não conseguiram abrir as portas antes que o carro fosse totalmente consumido pelas chamas.
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O relatório forense foi contundente ao revelar que a causa direta do óbito foi a combustão do veículo, e não o trauma causado pelo impacto da batida. O documento evidenciou o risco letal do design atual adotado pela gigante de tecnologia. O centro da preocupação popular é que cerca de 370 mil veículos da primeira leva do SU7 rodam hoje com esse exato sistema de portas sem acionamento de emergência externo.
Embora a Xiaomi já tenha alterado o projeto para os próximos lotes de produção — antecipando normas de segurança que se tornarão obrigatórias na China apenas em 2027 —, os proprietários das unidades antigas continuam expostos ao risco. A alteração silenciosa na linha de montagem sugere que a fabricante reconheceu a vulnerabilidade, mas ainda hesita em convocar os clientes que já estão com os carros nas ruas.
A pressão da imprensa local agora recai sobre a necessidade de a Xiaomi demonstrar maturidade como montadora automotiva e compromisso real com a segurança. Analistas do setor relembram o caso da Li Auto, que, diante de um problema estrutural, investiu mais de 1 bilhão de yuans (cerca de R$ 785 milhões) em atualizações de hardware preventivas para a frota afetada, blindando sua reputação e a confiança dos consumidores no mercado competitivo chinês.
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