Proprietário alega que em seis meses o modelo já sofreu três manutenções decorrentes do mesmo defeito; descaso e paciência já chegaram ao limite
Reportamos em outubro de 2025 o caso do Sr. Marcelo Nunes, proprietário de uma moto elétrica da fabricante Watts que enfrenta problemas sistêmicos de pane em seu modelo W160S. Desde então, a motocicleta já retornou três vezes à assistência autorizada e, segundo os relatos e documentos do proprietário, a marca insiste em remediações que não solucionam o problema da moto.
Marcelo já afirma que não se sente mais seguro ao rodar com a motocicleta e que quer seu dinheiro de volta.
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O caso do Sr. Marcelo começou um ano após a aquisição do Watts W160S, ainda com menos de 1.000 km rodados, em julho de 2025.
No caminho para a casa de sua mãe, na BR-356, entre Belo Horizonte e Brumadinho, Marcelo teve que encostar com agilidade, pois a moto elétrica desligou inesperadamente. O condutor afirmou que, por azar e coincidência, foi a segunda vez em menos de um mês que o problema aconteceu no local.
Nunes levou sua motocicleta para manutenção logo após o primeiro transtorno.
A Watts W160S em questão sofreu com a queima de um disjuntor. A loja, que não tinha o item em estoque, teve que esperar a chegada do equipamento para realizar a manutenção. A moto teve entrada na loja autorizada no dia 15/07 e foi liberada no dia 30.
Em conversa com a marca, Nunes disse rodar no nível mais alto de velocidade permitido pelo modelo (que varia entre 1, 2 e 3), ainda dentro dos limites de velocidade da via.
Após a primeira situação, ele foi alertado pela loja de que um dos motivos de a moto elétrica Watts ter estragado poderia ser essa “exigência” sobre o modelo, recomendação que ele mesmo achou descabida, pois circulava dentro dos limites naturais da moto.
O segundo problema com a moto elétrica Watts aconteceu logo depois da retirada da moto da loja, no início do mês de agosto.
Na segunda vez que a moto parou, Marcelo estava no nível 2 de velocidade, o que contradiz o alerta não oficial da marca.
Após desentendimento entre as partes para levar o modelo para a manutenção (que a loja afirmava ter marcado para o dia 02/10 e Marcelo nega a confirmação), a moto foi levada para a oficina no dia 10/11 e, no dia seguinte, a fabricante constatou o mesmo problema com o disjuntor.

A loja tentou realizar a cobrança de R$ 499 pelo equipamento a Marcelo, pois a garantia já havia expirado. O cliente alegou ser um erro sistêmico da época em que havia cobertura da fábrica e, após insistência, conseguiu que o custo fosse coberto pela marca. Nunes retirou sua moto da oficina no dia 19/11.
No dia 22/12, Marcelo contatou novamente a oficina autorizada alegando, mais uma vez, o mesmo problema de pane em sua moto elétrica Watts W160S. Na tentativa de mais uma vez sanar o problema, entre transtornos para agendar uma manutenção e percalços por viajar a trabalho em meio às situações, Nunes conseguiu levar a moto até a assistência técnica apenas em 2026, no dia 10/02.

Desde o último dia 20 de fevereiro, a moto elétrica encontra-se disponível para retirada. Porém, Marcelo alega desinteresse e falta de segurança em conduzir a motocicleta, sentimento causado pelas repetidas quebras e pela falta de assistência em solucionar o problema de uma vez por todas. O proprietário afirma que seguirá na procura de seus direitos como consumidor.
Em questionamento ao comportamento que a fabricante teve com o Sr. Nunes e quais seriam os seus direitos, contatamos o Gerente-Geral do Procon da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, o Dr. Marcelo Barbosa. O especialista afirmou que o proprietário tem direitos de ressarcimento em casos longos e insistentes como este.
Nesse caso em que já se passaram mais de 30 dias e o problema inicial não foi resolvido, o defeito retornou e ainda apareceu outro problema, já existem todas as condições para que o consumidor solicite a devolução do dinheiro ou a substituição por outra motocicleta elétrica”, afirmou Barbosa.
Essa situação está prevista no artigo 18 do Código de Defesa do Consumidor. Segundo Barbosa, a partir do momento em que, dentro do período de garantia, o consumidor apresenta um problema e ele não é resolvido, ele já passa a ter direito à substituição do produto ou à devolução do valor pago.
O doutor ainda explica que o consumidor deve reunir todas as provas, conversas e ordens de serviço e levá-las até o Programa de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon) regional.
A partir desse atendimento, o Procon poderá notificar tanto quem vendeu quanto quem fabricou o produto, para que o consumidor escolha entre receber o dinheiro de volta ou a substituição da motocicleta.”
Antes de procurar o Procon ou até o Poder Judiciário, é recomendável que o consumidor faça um último contato com o fabricante, caso exista representação no Brasil, para expor toda a situação e verificar se é possível resolver o problema diretamente com a empresa.
Hoje a fabricante de motos elétricas Watts pertence ao grupo Multi (antiga Multilaser). Nune afirmou ter tentado contato com a fabricante, porém sem sucesso efetivo.
A redação do AutoPapo também tentou contato com a fabricante, solicitando um posicionamento sobre o caso em questão. Nenhuma resposta nos foi encaminhada até o momento da publicação desta matéria.
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