Tecnologia que ‘substituiu’ os quatro cilindros recebe críticas do público, mas explicações técnicas provam sua qualidade
Recentemente, a Honda trouxe para o mercado brasileiro uma gama de modelos já esperados pelos entusiastas de duas rodas, como as intermediárias CB 500 Hornet e NX 500. Porém, entre estes e outros, os modelos que mais chamaram a atenção foram as novas 750 da marca; a nova CB 750 Hornet e a XL 750 Transalp. Ambas compartilham a mesma base motora, ainda que com propostas diferentes.
Para a Transalp, que desde sua antiga geração era bicilíndrica e tem uma proposta mais aventureira, o novo motor, que também é bicilíndrico, não foi motivo para alarde, mas a situação muda quando se fala da nova Hornet, afinal, o modelo sempre foi quatro cilindros. Entretanto, antes de assumir as críticas, é importante conhecer essa tecnologia bicilíndrica que, em sua base, apostou na redução de peso e no aumento da eficiência.
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Em um recente encontro com o time da Honda, justamente para testar os novos modelos 750, as dúvidas técnicas e de motivação para a adoção deste novo motor foram sanadas.

Além da natural evolução da marca para desenvolver novos motores, tecnologias e motos, a motivação de um motor bicilíndrico tem também razões ambientais. Em 2014, quando a CB 600F Hornet quatro cilindros saiu de linha no Brasil, as causas foram o enrijecimento das leis de emissão de carbono. Agora, o retorno da nova Hornet 750 vem com um motor que polui menos, e a característica bicilíndrica foi uma das alternativas que a marca encontrou para resolver esta questão.
Porém, muito se fala da questão do bicilíndrico, mas poucos entendem se há qualidade na motorização em questão. Sem comparar com uma moto que tenha mais “canecos”, o modelo prova sua eficiência com ao menos dois pontos de avanço tecnológico.

Como explicou, em apresentação e entrevista ao AutoPapo, o supervisor de relações públicas da Honda, Luis Gustavo, o novo motor bicilíndrico de 750, “a tecnologia desse motor já começa desde o sistema de admissão de ar”.
O sistema Vortex Flow Ducts (Dutos de Fluxo de Vórtice), patenteado pela Honda, cria um fluxo de ar constante desde as entradas de ar laterais até o filtro. Quando o ar entra pela admissão, ele começa a fazer um turbilhonamento (vortex). Nesse momento, a caixa afunila e o ar ganha força. Com uma entrada de ar mais forte, a mistura de ar-combustível entra no motor mais rapidamente, e a resposta da moto ao acelerador fica mais eficiente.
Na prática, essa tecnologia faz com que, assim que o piloto acione o acelerador, os modelos respondam com uma eficiência superior.
Luiz também destacou a adição da tecnologia Unicam ao novo motor, estratégia que poupou peso no conjunto, que tem 56 kg.
“Para o motor ser compacto e leve, para ter alto desempenho, geralmente eles são de duplo comando. Para esse motor, nós temos desempenho como se fosse duplo comando, porém com um comando simples.”
Em resumo, o sistema Unicam da Honda é uma solução de comando de válvulas que utiliza apenas um eixo de comando no cabeçote, combinando características de motores SOHC e DOHC. Nesse sistema, o comando atua diretamente sobre as válvulas de admissão, enquanto as válvulas de escape são acionadas por balancins, o que permite reduzir o tamanho, o peso e a complexidade do motor.
Essa tecnologia Unicam é utilizada principalmente nas CRFs de competição off-road, que precisam de motores super compactos e super leves. E também na Africa Twin, que é uma big trail que não pode contar com pesos adicionais em pontos de extrema exigência da moto.
Mesmo que estes sejam os dois pontos principais dos novos motores, afinal, podem ser percebidos na condução, a Honda ainda destaca outras tecnologias no seu novo motor 750. O virabrequim a 270º elimina vibrações secundárias e melhora o funcionamento do conjunto, e a bomba d’água, interna à tampa lateral, é revestida com Ni-SiC (Níquel-Carboneto de Silício) nos cilindros — mistura que melhora o desempenho e aumenta a vida útil.
O sistema FLS (FCC Lining System) na embreagem também é um diferencial. A tecnologia, nas motos Honda, refere-se ao revestimento projetado para oferecer maior coeficiente de atrito e melhor dissipação de calor, garantindo engates mais suaves, progressivos e consistentes, mesmo sob uso intenso.
Na prática, o FLS contribui para a redução de trepidações, menor desgaste dos discos, maior durabilidade da embreagem e sensação mais precisa no acionamento, reforçando a confiabilidade do conjunto em diferentes condições de pilotagem.
Como dito, ainda que não sejam quatro cilindros ou os mesmos das antigas, a tecnologia promete alta eficiência e está à altura das concorrentes. Aqui no AutoPapo, as impressões sobre cada uma das motos serão publicadas nesta semana.
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